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» SUPLEMENTO CULTURA DE 16/07/2016
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A Poesia de Júlio Guimarães

   
   José do Couto Vieira Pontes – cofundador e ex-presidente da ASL

   Júlio Alfredo Guimarães nasceu em Salvador da Bahia, a 3 de agosto de 1913, filho do Dr. José Alfredo Guimarães, Juiz de Direito, e de D. Júlia Coelho Guimarães. Cursou o tradicional educandário baiano Ginásio Carneiro Ribeiro, bacharelando-se em Ciências e Letras. Militar, permaneceu no Exército durante 25 anos, passando para a reserva em 1964, no posto de coronel.
   É sócio-fundador da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, onde ocupou a cadeira nº 12, sendo patrono o Mal. Cândido Mariano da Silva Rondon.
   Escreveu, inicialmente: “Refúgio D’Alma”, poesias, 1970, prefácio de Leal de Queiroz, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, impresso na Tipografia Jornal do Comércio de Campo Grande; “Mensagens de Amor e Paz”, poesias, 1978, Editora Pedro de Alcântara Ltda., capa de Flávio Taveira. Posteriormente, preparou e publicou, entre outras, as obras, “Máximas em Versos” e os livros de crônicas “Perfil de uma Mulher” e “Dinheiro, Deus ou Demônio”; e a aclamada “Biografia de Rondon”.
   Em “Refúgio d’Alma”, a produção mais expressiva é, sem dúvida alguma, “Sonhando”, que o poeta Júlio Alfredo Guimarães, sendo também exímio declamador, gostava de recitar em festas e solenidades:

   Sonhando

   Ninguém vive de sonhos,
   Eu bem sei,
   Mas sonhando somente
   Eu poderei
   Alcançar a felicidade
   Prometida.
   E, para tanto, todo esforço
   É pouco,
   Pois não existe ninguém assim
   Tão louco,
   De querer ser feliz,
   Senão sonhando.

   Por isso, em sonhos vivo
   Eternamente,
   Fugindo sempre
   E constantemente
   Da negra realidade desta vida
   Pra não deixar assim, desvanecida,
   A felicidade com que tanto sonho:
   Em sonhos, dependo apenas
   De mim mesmo
   E encontro o meu caminho
   Como um ermo,
   Que eu vou transformando
   Como quero;
   Quando estou triste,
   Nele é que encontro
   Paz e amor,
   Pra o coração enfermo;
   De olhos fechados
   E até mesmo abertos
   É que em sonhos
   Sempre me liberto,
   De tudo o que é de mau,
   E me aborrece.

   E assim é que consigo ser feliz,
   Com esse meu modo de viver,
   Sonhando.

   Não obstante seja a maioria dos versos do poeta filiado ao modelo tradicional, inúmeras composições suas seguem os ditames da escola modernista, em que predominam os versos brancos, de que é exemplo o poema “Canção do Silêncio”:

   Noite alta, vou andando, vou cantando,
   bem baixinho, só para mim.
   Vou sorrindo, perdoando e o perdão também
    [pedindo.
   Estação da primavera, eu no outono vou seguindo
   para o Nada que me espera,
   que me espera...
   Passos leves noite a dentro, caminhando
    [mansamente,
   pensamento tão distante num semblante de
    [quem sonha...
   Lá do céu a meia lua cai na rua tão tristonha
   iluminando meu caminho da cidade adormecida,
    [tão querida!
   Amante da boa música de seresta, da poesia e da literatura, já vivendo os derradeiros dias de uma vibrante existência, em cadeira de rodas e com sondas pendentes, nosso ‘Poeta Patriota’ autografou, na sede da ASL, seu último livro – O Livro das Mães – uma antologia poética e em prosa, com textos seus e de outros autores, em cujo Prefácio ele afirma:

   “Querendo prestar uma singela homenagem a essa figura excelsa de MÃE, difundir a literatura, beneficiar a criança pobre com a renda deste modesto trabalho; e, acima de tudo, levantar nossa voz em defesa da Família, cuja mola mestra é sem dúvida a Mãe, é que nos propusemos a reunir as mais belas páginas de que temos conhecimento sobre o tema, na literatura Pátria e Universal, em prosa e verso, e doar a referida obra a uma das Associações a que tenho a satisfação e a honra de pertencer: A Maçonaria (...).”

   O poeta Júlio Alfredo Guimarães faleceu no ano de 2005.
   

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