MATO GROSSO DO SUL, domingo, 23 de setembro de 2018 - BOM DIA!   
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» SUPLEMENTO CULTURA DE 23/09/2017
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A Volta de S...

   Zorrillo de Almeida Sobrinho

   Eu lamento a sua sorte, S... Apesar de haver prometido a mim próprio que não falaria mais sobre você, aqui estou quebrando a minha promessa, porque as suas lágrimas penetram o meu coração. Tinha-me determinado dagora por diante seguir uma política de indiferença a seu respeito. Você notou que eu pusera em prática a referida intenção. Pretendo permanecer assim, pelo menos exteriormente, embora continue o seu melhor amigo e aquele que mais se compadece do seu sofrimento.
   Ontem e anteontem você teve a ventura de passar horas agradáveis com o marido, cujo amor vai se extinguindo pouco a pouco. Julgo que o “animal” o levou a passar dois dias em relativa paz com você, sem um maltrato, sem uma grosseria no modo de falar. Ele é muito infantil. Hoje, dia de pagamento para ele, e, portanto, com dinheiro no bolso, à semelhança das crianças, quis ir gastá-lo fora, nas guloseimas dos meninos grandes – mulheres de vida fácil e, para você, palavras ofensivas. Proibiu você de visitar seus pais, tudo apenas com o secreto pensamento de beber à larga e espojar-se na satisfação do sexo.
   Diz você que terminaria por deixá-lo. Não acredito nisso. Cale o coração e deixe que o dever fale mais alto. De minha boca você ouvirá palavras de consolo e de fortalecimento, e eu lhe digo que você deve permanecer na companhia dele.
   Parece-me, entretanto, que o seu destino não é pior do que o meu.
   Afinal de contas você realizou o seu amor. Casou. Foi possuída, satisfazendo desse modo os anseios da natureza, enquanto eu a amei alucinadamente, e em paga recebi apenas uma grande indiferença e um quase ódio.
   O meu único consolo é VÊ-LA (a amada) como um belo cisne branco, fêmea que me aparece todos os dias, todas as horas, em evocações frequentes desse passado em que, pelo menos, a contemplava na realidade, apesar de lhe ver sempre, marcado no rosto, um grande rancor pelo pobre servo que a adorava e a adora ainda.
   Hoje tenho caminhado de surpresa em surpresa. A emoção se apodera de mim, de quando em quando, sem que eu possa me livrar dela.
   Primeiro de tudo, foi a liberação da capital de nossa “pátria Cultura”, a França – Paris foi libertada. Depois, a minha inesquecível e querida valsa que me prova, sobejamente, que eu ainda a amo demasiadamente, e que, apesar de todas as atrações extras, a lembrança de SUA VOZ, a visão da SUA IMAGEM, não desaparecem de mim.

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