MATO GROSSO DO SUL, sexta-feira, 16 de novembro de 2018 - BOM DIA!   
 P r i n c i p a l
 I n s t i t u i ç ã o
 E s t a t u t o
 H i s t ó r i c o
 D i r e t o r i a
 C a d e i r a s
 N o t í c i a s
 I m a g e n s
 A r t i g o s
 S u p l e m e n t o
 R e v i s t a s
 W e b - M a i l
» SUPLEMENTO CULTURA DE 16/09/2017
    Texto 1 de 6
Próximo Texto

ELOGIO A UMA OBSTINAÇÃO

   
   Rêmolo Letteriello – acadêmico, presidente da Comissão Pró-Construção da nova sede da ASL

    No dia 25 de agosto passado, véspera do aniversário de Campo Grande, a cidade recebeu um presente primoroso, quando brindada pela inauguração da nova e moderna sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, edificada com a cooperação da Secretaria de Cultura dos Governos André Puccinelli e Reinaldo Azambuja e com recursos próprios.
    Quem esteve presente à sua entrega oficial à população ou a visitou posteriormente, certamente maravilhou-se com a majestade da obra, de linhas arrojadas e avançadas e de grande contraste com outras também belas construções da nossa Capital.
    Inegavelmente, esse episódio que estamos vivenciando reescreve uma nova história da vida da Academia, surgida há 46 anos atrás, fruto de sonhos e tenacidades de uma plêiade de intelectuais visionários, comandados por Ulisses Serra, José do Couto Viera Pontes e Germano de Barros.
    Na condição de presidente da Comissão Pró-Construção da nova sede, tive a oportunidade de conhecer e acompanhar bem de perto, passo a passo, o desenvolver da luta para a obtenção dessa conquista, desde a formulação do pleito de ajuda financeira junto ao Governo estadual, a regularização da área doada pela benemérita Inah Machado Metelo, a elaboração do projeto arquitetônico e a execução da obra, até à finalização da etapa de acabamento e a implantação do seu magnífico auditório.
   Em verdade, muitos compartilharam, de uma ou de outra forma, do desmedido esforço para a concretização de uma antiga aspiração e, certamente, muito se orgulham disso, afinal, conseguiram corporificar uma ideia que passou a ser uma visão de tantos quantos sempre empurraram para frente e para o alto a expansão da Academia.
   Todavia, destacou-se entre os participantes o Presidente Reginaldo Alves de Araújo que, ao conduzir pessoalmente e com muita bravura o processo envolvendo a referida edificação, deu a todos mostras da sua determinação e do seu espírito de incansável batalhador, revelando-nos o que pode um homem realizar pelo seu esforço próprio, pela sua inteligência, pela sua inquietação construtiva, pela sua percepção do futuro, pela sua coragem e perseverança, pela sua capacidade pessoal, enfim, pelos seus valores.
   Além de tornar concretas essas virtudes, Reginaldo sempre soube cultivar a paciência e a tolerância, habilidades sabidamente necessárias para não se deixar ninguém sufocado por obstáculos ou situações desfavoráveis. Os problemas de saúde que enfrentou nesse período, deixando-o muitas vezes prostrado e abatido fisicamente, não deram causa ao desestímulo nem interromperam a continuidade da sua faina de encarar frente a frente as dificuldades e complicações da bestial e caótica burocracia que, invariavelmente, assola os órgãos públicos.
   Não foram poucas as suas cansativas peregrinações às mais diversas repartições da Secretaria de Obras, da Fundação da Cultura, bem como aos escritórios dos engenheiros e arquitetos e da empresa construtora, sempre cuidadoso, proativo e solícito no cumprimento das mais simples ou complexas exigências para o bom e regular desenvolvimento do processo de construção.
   Bem sei que sofreu resistências, impostas por motivos injustificáveis ou até mesmo inconfessáveis, dos desprovidos do sentimento de união, lealdade e companheirismo, e do senso de convergência para a construção de tão importante e significativa obra.
   Essa mazela, infelizmente, ainda perdura, basta ver que não se deu a mínima divulgação das solenidades de inauguração da nova sede, tanto pela mídia local quanto pelos órgãos de difusão governamentais, nada obstante estarem presentes um Governador, um ex-Governador e o Prefeito Municipal, e o evento ser registrado por um batalhão de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. A todos causou perplexidade, portanto, o fato de aquela cerimônia não ter sido levada ao conhecimento da sociedade, omitindo-se a circunstância de Campo Grande contar, a partir de então, com a mais bela sede entre as academias de letras do país.
   Bem sei, também, que esses fatos, lamentavelmente ocorridos, não causaram a Reginaldo ressentimentos nem lhe fizeram amargar rancores, dado ao seu equilíbrio afetivo à sua formação humanística e ao seu espírito superior.
   Por isso tudo, move-me o desejo e a obrigação de fazer um elogio público à obstinação do Presidente Reginaldo Alves de Araújo que resultou no erguimento da nova sede da ASL. As suas atitudes destemidas e verdadeiramente cívicas, quer queiram, quer não, ganharam reconhecimento e consagração e constituíram, sem dúvida, o passaporte legítimo para o seu ingresso no livro da história da Academia e da cultura sul-mato-grossense.
   

    Texto 1 de 6
Próximo Texto

Academia de Letras


Copyright Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
Todos os direitos reservados

::Webmaster::