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» SUPLEMENTO CULTURA DE 07/10/2017
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O AVIÃO INVISÍVEL DE RAQUEL

   
   Rubenio Marcelo

    Com chancela da editora Ibis Libris, contendo setenta e seis crônicas, “O Avião Invisível” é o mais novo livro lançado pela escritora Raquel Naveira. Com 260 páginas, o consistente volume possui prefácio do escritor José Fernando Mafra Carbonieri, imortal da Academia Paulista de Letras. Escritas nos anos de 2015 e 2016, as narrativas contidas nesta obra refletem – como bem afirma a autora – principalmente observações sentidas na época (uma década) em que ela residiu na capital paulista.
    Com temática ampla, do místico às reminiscências e registros ‘oníricos’, enredos reflexivos e circunstanciais, “O Avião Invisível” de Raquel passa também (claro) por paragens e paisagens guaicurus que ficaram gravadas na caixa-preta da sua existência: de Campo Grande ao Pantanal e às fronteiras, e inclusive explicita a ocasião em que ela, ainda adolescente, na sua Cidade Morena, bateu um papo “das mil e uma noites” com o lendário Malba Tahan, que na ocasião profetizou: “Vejo que você é uma menina muito sensível, tem talento na alma. Continue lendo” – e, acerca deste mágico acontecimento, diz agora a nossa escritora: “Sob o manto brocado daquela noite, repeti várias vezes: ‘Maktub! Maktub! Estava escrito’. Acreditei que escrever era meu destino, uma fatalidade”. Sim, Raquel Naveira, já estava escrito: tinha que acontecer... Agora é seguir em frente, “até onde a literatura lhe levar”.
    “O Avião Invisível” não esconde a poeta envolta nas expressões (palavras e imagens) da cronista – a linguagem poética jamais se afasta do texto em prosa da autora, proporcionando, assim, um resultado estético deveras agradável e envolvente em suas crônicas. A propósito, por exemplo, em “Vinho” (pág. 50 do livro), temos: “Preciso de evasão como todo mundo. A realidade é cruel demais, não dá pra engolir a seco. O fardo do tempo e das desilusões tem quebrado as minhas costas. Sorvo em longa taça goles de poesia, de religião, de filosofia, de arte, de virtude. Não bebo vinho, mas vivo embriagada”; e em “Herança” (pág. 143): “Amei, desde sempre, as linhas dos versos: a poesia”.
   A exemplo do que ocorre na palavra literária de Adélia Prado – e na linha daquele pensamento clariciano: “Deus repleta o ser” –, a obra de Raquel Naveira timbra também em vários pontos uma forte concepção transcendental e epifânica (exaltação divina, fé), como podemos constatar, v. g., em “Dândi” (pág 101): “... Conheço alguém de uma elegância suprema, de uma graça essencial. É um homem divino que se ocupa de todos com delicadeza. Está sempre pronto para ajudar. Sempre semelhante a si mesmo. É simples e calmo, por isto tem poder. Seduz e atrai sem esforço. Aceita as pessoas. Perdoa seus defeitos. É capaz de dizer: “Eles não sabem o que fazem”. Eu me escondo sob sua capa vermelha. E lhe presto culto”.
    Natural de Campo Grande, poeta/escritora e palestrante, Raquel Naveira é formada em Direito e em Letras pela UCDB, onde exerceu o magistério superior (de 1987 a 2006). Doutora em Língua e Literatura Francesas, pertencente à Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, ela traz a arte literária introjetada no seu modus vivendi. Possui dezenas de livros publicados, alguns com premiações, como por exemplo: ‘Caraguatá’ (menção honrosa no Prêmio Ribeiro Couto - UBE-RJ, 1997), ‘Senhora’ (Prêmio Henriqueta Lisboa / AML, 2000; e Prêmio Jorge de Lima - ACL, 2000), ‘Sangue Português’ (Prêmio Guavira - FCMS, 2013). As suas obras ‘Abadia’ (1995) e ‘Casa de Tecla’ (1998) foram finalistas do Prêmio Jabuti, na categoria Poesia. Finalizo este singelo tributo/ensaio, consignando aqui um pouco do que senti ao embarcar nesta privilegiada viagem rumo à estação da beleza:

   O ‘AVIÃO INVISÍVEL’ DE RAQUEL
    - para Raquel Naveira e seu novo livro -
    (Rubenio Marcelo)

   É um caça RN-2017*
   [da força aérea da palavra]
   missão: combater com mísseis de primazia
   a mesmice do cotidiano...

   tem a dimensão de um pássaro
   e a envergadura do horizonte
   num voo de frisson
   sem barreira...

   possui asas e cauda de ‘essência pura’
   e é mais veloz do que o zoom
   do tempo presente...
   | criação além do sonho? |

   enfim
   perceptível aos radares da sensibilidade
   invisivelmente decola
   e aterrissa em silêncio
   sem trem de pouso
   nos trilhos semeados
   entre os trigos dourados do enlevo...

   e descobre-se
   o infinito-em-si
    e s s e n c i a l
   além do céu... além do véu!
   

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