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» ARTIGO

(17/02/2005)


TEXTOS DO ACADÊMICO RUBENIO MARCELO

   

RUBENIO MARCELO,
poeta/escritor membro titular da Cadeira 35
   da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.


   ______________________________.......________________________________
   

   VELEIROS DA ESSÊNCIA

   vêm de horizontes nunca vistos
   e trazem à proa
   o mapa das messes inabituais
   num tempo infinito
   de invictas bandeiras e constelações...
   trazem o lábio astral e o astrolábio
   das meditações azuis
   que tecem sublimes mareações...
   têm adriças de sol e cordoalhas de mitos
   que atesam a fruição
   de transcendentes singraduras...

   chegam altivos e sem defensas
   traçando itinerários
    coesos
   afinados com insólitas conhecenças...
   transportam sagas ancestrais
   e trazem nas gáveas
   núncios de auroras ressurgentes...

   com místicos galhardetes
   mirando os destinos cor de nuvens
   afagam elísios
   que sibilam prelúdios e vilancetes
   e sabem dos seus timoneiros
   trajados de brim
   em brancas manhãs...

   planam em silêncio na crista do verbo
   |atentos ao mínimo aceno|
   ao barlavento da criação
   entre códigos, gaivotas e plenilúnios...
   singram íntimas dádivas
   para ampliar as escotilhas do sonho
   e plenificar faróis nos
   e s t a i s
   da vaguidade...

   vêm do estro
   para nos desancorar das ilhas perdidas
   vêm para fecundar correntes
   no estio das vigílias
   e para nos (e)levar
   à paz das alvíssimas florações
   dos portos longínquos...

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   VOO DE POLENS

   Que se fecundem corações e mentes
   e fortemente pulsem horizontes
   em novas fontes grávidas de voos
   buscando os ventos ou os flamboyants...

   Em tons vibrantes, ritos plasmam céus,
   descobrem véus e polinizam flamas:
   são anagramas dos meus ideais
   e os madrigais que flertam minha voz...

   De fora em foz, os meus diversos portos
   vislumbram hortos, saem das vindimas
   em férteis ímãs de sublimações...

   Que as florações insones sejam cantos
   e que estes tantos versos resolutos
   concebam frutos doces como o sonho!

   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   RELENTO

   Mais uma noite chega de repente...
   E uma imagem trêfega, franzina,
   Procura o seu descanso de rotina
   Na rispidez do chão indiligente.

   Logo adormece na calçada ardente,
   Cumprindo a compulsão da sua sina;
   Mas sonha que uma chuva repentina
   Está molhando o seu corpo indolente...

   Acorda e vê que o sonho é verdadeiro;
   Levanta-se, buscando um paradeiro,
   E sai cambaleando em desalento...

   Jogada ao léu na rua da amargura,
   Aquela desditosa criatura
   Sabe de cor as leis do sofrimento.

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   VELHO RELÓGIO DE PAREDE

   Ah, este velho relógio de parede
   irritando as horas, imitando enoras
   no convés do mundo,
   tentando pôr os ‘ires e vires’ no ponto.
   Minutos e segundos que consomem nossos ouvidos,
   enquanto as vidraças
    sorriem dos supersônicos...

   Ah, este relógio antigo...
   Nele, o tempo desconhece
   a velha engrenagem humana
   na parede pregada e sem ponto de fuga;
   nele, as luvas das jornadas
   renegam a impontualidade do cantar dos galos...

   E, a intervalos nem tanto regulares,
   há sempre algo a nos dizer
   que o tempo não se assusta diante do espelho,
   nem sente falta de um divã na sala de estar,
   tampouco se impressiona
   ante as acrobacias de um raio de luz.

   Em ponto de cruz, o tempo borda imagens,
   à frente das carruagens
   cerzidas com norte incerto,
    perdidas num longo deserto.

   Com tato, a noite traz o ponto de contato
   aos bichos e paisagens, aos seres e edifícios,
   aos desenleios e desejos.
   A penumbra é o ponto alto: acomoda as cores da vida...
   Nas avenidas, velhos semáforos medem o caos;
   no mar, os rastros do plenilúnio
   dão o ponto de equilíbrio
   do sentimento cadenciado pelo mesmo vento
   que proporciona o fecundo voo de polens
   e o susto breve da donzela na escadaria...

   E, na parede fria, o enfadonho relógio
   a refletir o tédio e a repetir a mesmíssima toada,
   qual uma ciranda de ganidos
    que demarcam um ponto.

   Isto é ponto de honra e nunca se abala.
   Relógio de ponto – em ponto de bala.

   Relógio sem pulso – a pulso na sala;
   qual ponto-limite ou ponte de sal...

   Um tanto torto, em ponto morto, sem ponto
   a/final.

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
    SONHO-MENINO

   Assaz feliz, em pulsações vibrantes,
   Vejo-me, num enleio repentino,
   A cavalgar o pégaso traquino
   Dos tempos de contentamentos dantes...

   ... Revivo, assim, o mar, o tom divino
   Das ondas em volteios verdejantes;
   Ouvindo as brisas, lembro os bons talantes
   Que acalentaram meu tempo-menino.

   Mas, como a nuvem que encobre o luar,
   Subitamente vem me despertar
   O som estridulante de um flautim...

   Desço do sonho, inda a devanear;
   E, procurando o meu ser-avatar,
   Perante o espelho... sinto o tempo em mim!

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   SONETO DA LIBERTAÇÃO

   Jamais se desapegue da esperança
   Que alenta o seu espírito e que seduz;
   Mantenha sempre viva a confiança
   E a fé na grã vitória com Jesus!

   Se cada qual carrega a sua cruz,
   Depois do temporal vem a bonança;
   Por trás da nuvem negra brota a luz
   Pra aquele que persiste e não se cansa.

   Por isso, nunca pense em fraquejar!
   Se abismos, porventura, vislumbrar,
   Não tema, creia na libertação!

   Pois todos que confiam no Senhor
   Renovarão as forças, ante a dor,
   E, qual águias, com asas subirão...

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   GLOBO DA MORTE

   No ziguezaguear estrepitante
   de suas colossais motocicletas,
   em alta adrenalina, os cinco estetas
   vão imortalizando aquele instante...

   Num habitáculo esférico, eletrizante,
   marchetado de luzes inquietas,
   roncam máquinas, em loucas roletas,
   aos olhos da plateia vigilante.

   Alfim, de súbito, cessam os fragores:
   os alazões de ferro e seus senhores
   voltam às posições iniciais.

   Do glObo, abre-se uma portinhola...
   Os acrobatas saem da gaiola
   e novamente são meros mortais...

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   EU, VOCÊ E A PLENITUDE DO SORRISO

   Mergulhado em encanto, qual Peri
   Ante a luz de Ceci em liberdade,
   Feliz eu fico quando você ri,
   Pois seu sorriso é paz em claridade...

   Tal qual da flor precisa o colibri
   Pra que um beijo fecunde a lenidade,
   Eu necessito do seu riso aqui
   Para espargir em mim felicidade.

   Eu quero este presente, pois preciso
   Em plenitude alçar-me ao paraíso
   Do seu sorriso a fecundar o meu...

   E se, na noite de luar tristonho,
   Ao longe o seu olhar mirar um sonho:
   Será meu riso procurando o seu!

   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   PRESENÇA DIVINA

   Estás na manhã
   que ressurge radiante,
   Na tarde que finda e na noite estrelada.
   Estás no orvalho
   pela madrugada
   E na voz do trovão que ecoa distante...

   Estás no horizonte,
   no pó da estrada,
   Nas auras garbosas que sopram adiante...
   Estás na magia
   do sorriso infante,
   No sal gotejante da lágrima sagrada.

   Nos belos acordes
   de uma melodia
   E nos versos singelos da minha poesia,
   Tu és harmonia,
   és a inspiração!

   Estás na minha fé
   e no meu coração,
   Deixando minh’alma repleta de paz...
   Em tudo, ó Jesus,
   eu sei que Tu estás!
   
   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   

   F I N G I M E N T O

    Ela finge entender
    que ele nunca
    sabe de tudo.
    Ele finge não saber
    que ela sempre
    não entende nada.
    Ela não entende por que
    ele nunca finge entender
    que tudo entende.
    Ele, contudo, atende,
    fugindo sempre,
    fingindo, aprende.
    Ela dele depende
    e sempre o defende,
    fulgindo, frigindo,
    fingindo, fugindo...
    Em poente infindo
    – e em frente indo –
    ele finge,
    ela infringe.
    São esfinges...

   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   
   TORTA ROTINA

   O dia me observa
   em noite perpétua...
   Meus olhos de andante
   desviam a tez morta
   do sol da estrada.
   A rotina é rota torta
   que corta o instante.
   Distante, o sonho
   bisonho estende
   pálidas mãos de névoas
   para os transeuntes...
   Sou, entre descrentes,
   mais um ente ausente
   em transe permanente.

   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________

   

   

   PARTIDA E SAUDADE

   I.
   Era manhã, brisa mansa,
   Quando deixei Fortaleza,
   Com um misto de tristeza,
   Calma, fé e esperança...
   Trago tudo na lembrança,
   Jamais eu pude apagar
   Três faces a acenar:
   Meu pai, minha mãe, meu irmão.
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!
   
   II.
   Deixei meu lar, minha rua,
   Meu violão trovador
   Que acalentou meu amor
   Em tantas noites de lua!
   Saí com a alma nua
   E, no meu peito, um pesar,
   Lembrando meu chão, meu mar
   E subindo no avião...
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!
   
   III.
   De cima, inda pude ver
   Minha Praia do Futuro.
   Naquele instante, eu juro,
   Deu vontade de descer.
   Mas como iria fazer?
   Se não aprendi voar;
   Se não podia ficar
   Nem mudar minha decisão.
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!

   IV.
   E no frio aeroplano,
   Veloz e cortando os ares,
   Vi indo meus verdes mares
   E os coqueirais soberanos...
   Vi meus milhares de planos
   E as brumas do meu sonhar
   Sumirem no longe-estar
   Do porto da solidão.
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!
   
   V.
   A gente cresce sem ver
   Que o amanhã é oculto;
   A gente fica adulto,
   Faz mil coisas sem querer...
   Parte num amanhecer,
   Mesmo querendo ficar;
   Finge sorrir, não chorar,
   Num longo aperto de mão...
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!
   
   VI.
   O tempo passou, estou mudado,
   Longe do torrão natal.
   Só a saudade é igual,
   Com ela estou lado a lado...
   Quando lembro do passado
   E me ponho a meditar,
   Ela vem me acalentar;
   Sem ela, eu não vivo não...
   Foi com dor no coração
   Que deixei o meu lugar!

   
   ® RUBENIO MARCELO
   __________________
   

   


Autor: ® RUBENIO MARCELO
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