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» ARTIGO

(24/02/2005)


HINO DO MATO GROSSO DO SUL

   

Otávio Gonçalves Gomes

    No período da instalação do nosso governo de Mato Grosso do Sul, nós e José Couto Pontes, na qualidade de membros da Academia de Letras, extra-oficialmente fomos convidados para assessorar os funcionários do Governo, em assuntos culturais.
    Mal iniciamos nossas atividades, foram abertos concursos para escolha dos símbolos do novo Estado. Interessado em concorrer aos concursos, eu me afastei para concorrer ao certame.
    Nenhum dos concorrentes conseguiu aprovação da COMISSÃO, mais por imposição de pessoas de fora do Estado que desconheciam as realidades nossas do que propriamente falta de qualidade dos trabalhos.
    Dada a urgência da criação do Hino, resolveu a Comissão encarregada do concurso que se procurasse no Rio de Janeiro compositores consagrados e poetas de renome para compor o nosso HINO.
    José Couto Pontes foi enviado ao Rio de Janeiro e, levado ao MAESTRO RADAMÉS GNATTALI, por Odílio da Costa Filho, da Academia Brasileira de Letras, segundo declarou, em artigo publicado recentemente, o então presidente da Academia.
   O maestro compôs a melodia, portanto.
   Quanto ao poema, disse-nos o emissário que foi ao Rio de Janeiro – depois de consultados alguns especialistas, declararam, que ao que sabiam do ambiente cultural do nosso Estado, haveria certamente, poetas capazes de realizar aquele trabalho; e declinaram do convite.
   Ter-se-ia repetido o acontecido com Osvaldo Cruz quando da epidemia de peste bubônica, na antiga capital. Solicitaram ao Instituto PASTEUR, um sanitarista, e a resposta foi aquela já conhecida. A pessoa procurada está aí no Brasil e se chama OSVALDO CRUZ.
   Convocada às pressas a Academia SUL-MATO-GROSSENSE DE LETRAS, foi-lhe dada a missão de compor o poema do Hino do Mato Grosso do Sul.
   Faltava possivelmente uma semana para a instalação do Governo do novo Estado.
   Os acadêmicos reunidos iniciaram as conversações. O primeiro a se manifestar foi o saudoso poeta Germano Barros que declarou-se sonetista e sem condições de produzir um poema em exíguo tempo; os demais consultados, dada a responsabilidade, e exigência do curto espaço de tempo, desistiram.
   Os dois únicos que consultados disseram estar disposto a tentar: nós, estudiosos da nossa HISTÓRIA e com um livro de poesia publicado; e Jorge Siufi, apresentador musicista e cantor de seresta. E COUTO PONTES, na qualidade de Presidente da ACADEMIA, na coordenação.
   Iniciamos a composição cientes de que, devido, à urgência, o poema seria composto em versos brancos, estilo modernista.
   Nós que havíamos concorrido ao concurso com uma letra baseada em temas históricos e da nossa natureza, continuamos usando os mesmos temas que julgávamos deveras oportunos.
   A professora NEUSA G. GOMES, convocada, ia executando a melodia ao piano. Nós e o Jorginho fomos tentando as frases e o COUTO PONTES opinava. Assim foi composto o esboço do HINO, em aproximadamente duas horas. O passo seguinte era a adaptação técnica do poema à melodia.
   Aí foi lembrado o Maestro Peter HANS, que conseguiu harmonizar a letra à partitura. E continuava a corrida contra o tempo. Neste intervalo ainda tentamos a execução da partitura com a BANDA DA POLÍCIA MILITAR. Mas em razão dos membros da corporação haverem concorrido ao concurso ou porque os executores da música não estavam motivados, a interpretação não era boa. Foi quando a professora NEUSA, exasperada, tomou a si a regência do ensaio e pediu mais entusiasmo na execução. Nesse momento veio-nos a idéia de dizer aos participantes da Banda, o significado histórico do poema do Hino. Acreditamos ter conseguido transmitir aos músicos algum entusiasmo patriótico, porque um oficial militar ali presente, entusiasmado com as nossas palavras, em vibrante alocução exortou aos músicos a executarem a partitura com mais vibração e sentimento, o que foi conseguido.
   Nesse interim, o Coral Universitário realizava os ensaios, e chegava a Orquestra Sinfônica Brasileira, que executou a partitura de Radamés Gnattali no ensaio geral, junto ao Coral Universitário.
   Resultado: na festa de instalação do novo Estado, no Teatro Glauce Rocha, o Hino de Mato Grosso do Sul foi aplaudido de pé.
   Depois o Hino foi esquecido. Tempos depois, a Fundação Barbosa Rodrigues mandou fazer um novo arranjo e a Assembléia Legislativa, num gesto digno de aplausos, mandou gravar o Hino e o distribuiu pelas Escolas.
   O Hino na realidade agora está bem melhor. O que está faltando é a regravação em maior número, e distribuição mais ampla pelos órgãos de divulgação do Estado e pela Secretaria de Educação.

   
   


Autor: OTÁVIO GONÇALVES GOMES
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