Realizada excepcionalmente numa terça-feira, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras promoverá seu Chá Acadêmico de junho no dia 30, com a imortal Lilia Schwarcz, cadeira 09 da Academia Brasileira de Letras, pelo ciclo 2026 do projeto “ABL na ASL: Palestras Imortais” ─ que é desenvolvido em parceria entre a ASL e o Governo do Estado, por meio da Setesc (Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura) e da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS). O evento será às 19h30min, presencial e com entrada franca no auditório da ASL, na rua 14 de Julho, 4653, em Campo Grande.

Lilia irá proferir a palestra com o tema “O mito da democracia racial como linguagem”. Segundo ela, “o mito não é uma simples mentira, mas sim uma contradição. Ele se desenvolve e se mantém vivo a partir de tensões históricas”. O Chá Acadêmico terá também na sua programação da noite os tradicionais projetos com a UFMS e a Confraria SociArtista. O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, comentou que “valores da  democracia racial ainda ocultam fatos determinantes de privilégio e de exclusão na sociedade, disfarçando o racismo estrutural no Brasil”.

A imortal da ABL abordará “democracia racial como linguagem”

LILIA SCHWARCZ

Lilia Katri Moritz Schwarcz é uma das mais importantes intelectuais contemporâneas. Historiadora, antropóloga, professora universitária, escritora, curadora e pesquisadora, tornou-se referência nos estudos sobre escravidão, relações raciais, identidade nacional, monarquia brasileira, memória histórica e autoritarismo no Brasil. Em 2024 foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, tornando-se a 11ª mulher a ocupar uma cadeira da instituição desde sua fundação.

Formou-se em História pela Universidade de São Paulo e posteriormente concluiu doutorado em Antropologia Social na mesma instituição. Tornou-se professora titular do Departamento de Antropologia da USP e, ao longo de sua carreira, também atuou como pesquisadora e professora visitante da Princeton University, nos Estados Unidos. Lilia também é cofundadora da editora Companhia das Letras e atua ativamente em conselhos de patrimônio e desenvolvimento social.

Publicou mais de 30 livros, além de artigos científicos, ensaios, catálogos de exposições, textos de divulgação histórica e obras organizadas em parceria com outros pesquisadores. Muitas de suas obras foram traduzidas para inglês, espanhol, francês e outros idiomas. De sua vasta produção bibliográfica, entre seus principais livros estão: Retrato em Branco e Negro, O Espetáculo das Raças, As Barbas do Imperador, Brasil: Uma Biografia, Sobre o Autoritarismo Brasileiro e Enciclopédia Negra. Tem muitas premiações, destacando-se Jabutis, Biblioteca Nacional, ABL, Comenda Rio Branco.

A artista visual Andréa Luz participará pela Confraria SociArtista

ASL-CONFRARIA SOCIARTISTA: ANDRÉA LUZ

O projeto “Arte na Academia”, da Confraria SociArtista com a ASL, traz arte visual com os trabalhos visuais de Andréa Luz. Artista visual e arquiteta, Andréa tem diversas exposições individuais e coletivas em Mato Grosso do Sul e no Brasil. Integra a Confraria, tendo participado de inúmeros eventos promovidos pela Associação. Desde o início da carreira, retrata a vida indígena, a flora e a fauna do Pantanal, utilizando técnica mista de pastel seco, tinta acrílica e carvão.

O músico Pedro Irineu se apresentará pelo projeto com a UFMS

ASL-UFMS: PEDRO IRINEU

O projeto “Música Erudita e suas Fronteiras” – realizado em parceria pela ASL e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul dentro do projeto “Movimento Concerto” –, terá este mês a participação de Pedro Irineu. Graduando em Licenciatura em Música na UFMS, fez diversas apresentações tanto pela UFMS quanto como convidado em eventos como o FM Music Concert, tendo tocado também nas três últimas edições da Semana Mais Cultura da UFMS. Foi finalista do XI Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter no Rio de Janeiro e participou de diversas masterclasses com figuras importantes do mundo do violão, tais como Everton Gloeden, Gilson Antunes e Daniel Morgade. Atualmente participa da Camerata de Madeiras Dedilhadas organizada pelo professor dr. Marcelo Fernandes da UFMS e atua como professor de música em escolas particulares de Campo Grande – MS.

Serviço

Chá Acadêmico
ABL na ASL, Palestras Imortais

Lilia Schwarcz
“O mito da democracia racial como linguagem”

Dia 30 de junho de 2026, às 19h30min
(Com os projetos “Música Erudita e suas Fronteiras”, com a
UFMS; e “Arte da Academia”, com a Confraria SociArtista)

Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada franca | Evento presencial | Traje esporte

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras informa que, por motivos de cronograma de ordem administrativa, a divulgação dos vencedores do Concurso de Contos “Ulysses Serra” ciclo 2026 – programada inicialmente para o dia 29/06/26 – será publicada em nosso site no dia 02/07/2026.

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras comunica, com muita tristeza, o falecimento de seu acadêmico Guimarães Rocha, cadeira nº 4, aos 69 anos. Pseudônimo literário de Antônio Alves Guimarães, nasceu em 3 de julho de 1956, em Quixeramobim, no Ceará, e construiu em Mato Grosso do Sul a maior parte de sua trajetória intelectual, artística e profissional. Poeta, escritor, professor, músico e oficial da Polícia Militar, tornou-se uma das vozes mais conhecidas da literatura sul-mato-grossense contemporânea.

Radicado em Campo Grande desde a juventude, destacou-se pela intensa atuação cultural, conciliando a carreira militar com a produção literária. Formado e pós-graduado em Letras, desenvolveu uma obra marcada pela reflexão humanista, pelo lirismo e pelo interesse em temas sociais, educacionais e filosóficos.

Sua produção começou ainda na década de 1970, com a publicação de Mundo Mundano (1979), consolidando-se nos anos seguintes com obras como Geração Iludida (1983), que reúne parte significativa de sua produção poética inicial. Ao longo da carreira, publicou mais de vinte livros, abrangendo poesia, ensaio, crítica literária, discursos, filosofia e estudos históricos.

Entre suas contribuições culturais mais importantes está a criação do projeto Noite da Poesia, idealizado em 1986 e posteriormente incorporado ao calendário cultural de Campo Grande. Também participou da consolidação da União Brasileira de Escritores em Mato Grosso do Sul, promovendo encontros, debates e atividades de incentivo à leitura e à produção literária.

Em 2002, foi eleito para a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, ocupando a cadeira nº 4, sucedendo Rubens de Castro. Sua atuação acadêmica ampliou sua influência na preservação da memória literária regional e na valorização dos autores do Estado.

Uma de suas obras de maior relevância é Grandezas da Literatura Sul-Mato-Grossense, resultado de anos de pesquisa sobre escritores e intelectuais ligados à vida cultural do Estado. O livro tornou-se importante referência para estudantes, pesquisadores e leitores interessados na história literária sul-mato-grossense, reunindo perfis críticos e biográficos de dezenas de autores.

Reconhecido nacionalmente por suas performances de declamação poética e por iniciativas de difusão cultural, Guimarães Rocha recebeu diversos prêmios e homenagens ao longo da carreira. Sua obra combina o compromisso com a cultura regional, a valorização da língua portuguesa e a defesa da literatura como instrumento de formação humana.

Pela extensão de sua produção, pela atuação institucional e pelo trabalho de divulgação dos escritores de Mato Grosso do Sul, Guimarães Rocha é considerado uma das figuras mais representativas da literatura sul-mato-grossense das últimas décadas, desempenhando papel relevante tanto como criador quanto como pesquisador e divulgador do patrimônio literário do Estado.

Os escritores Brígido Ibanhes, reconhecido pela sua linguagem de fronteira, e André Alvez, cronista e romancista de vertente urbana, foram anunciados pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras como eleitos para as cadeiras respectivamente de números 13 e 28. Candidataram-se seis escritores às vagas ‒ além de Ibanhes e Alvez: Isaac Ramos, Vilma Carli, Ewerton Carvalho e Janet Zimmermann ‒, e ambos tiveram o maior número de votos.

André Alvez ocupará a Cadeira 28 na sucessão da saudoso acadêmico Augusto César Proença, falecido em 2023; e Brígido Ibanhes ocupará a Cadeira 13 na sucessão do saudoso acadêmico Antônio João Hugo Rodrigues, também falecido em 2023. Regularmente inscritos conforme exigências estatutárias da ASL na abertura de vagas, e  eleitos por votação geral em plenário, ambos devem tomar posse solene em breve.

Com significativa presença de Acadêmicos na sede da entidade para a votação, a sessão teve a condução dirigida pelo atual presidente da Academia, Henrique Alberto de Medeiros Filho ‒ que afirmou sobre Ibanhes e Alvez que ambos trazem relevância não apenas de escritores, mas de nomes que têm grande presença e fazem parte do contexto cultural de MS ‒ e o secretário-geral da ASL, Rubenio Marcelo ‒ para ele, a escolha dos dois novos acadêmicos “dignifica a história da ‘Casa de Ulysses’ e a preservação e desenvolvimento da língua, das letras e da cultura no Estado”‒, tendo como coordenador de todo o processo o acadêmico Abrão Razuk, que ressaltou o fato da ASL “preservar o  desenvolvimento da língua, das letras e da cultura”.

ANDRÉ ALVEZ – Breve resumo

André Luiz Alvez é escritor, roteirista, pós-graduado em Literatura Brasileira pela UCDB e publicitário formado pela UNISA-SP. Nasceu e cresceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com forte ligação ao antigo bairro Amambaí; com uma sólida trajetória no cenário cultural de Mato Grosso do Sul, consolidou-se como um dos nomes mais ativos de sua geração, atuando como romancista, cronista, contista e palestrante. Presidiu a União Brasileira de Escritores de MS (UBE-MS) entre 2017 e 2018.

Como cronista urbano, registrou o cotidiano sul-mato-grossense no jornal Correio do Estado (Caderno B) de 2008 a 2019. Atualmente, assina a coluna semanal “Beba das crônicas” no portal Campo Grande News. Paralelamente à literatura, André possui forte inserção no audiovisual, tendo se especializado em roteiro e direção cinematográfica através de oficinas com grandes nomes do cinema nacional, como Anna Muylaert e José Eduardo Belmonte.

Já ministrou palestras na ASL como convidado, abordando escritores como Hemingway e García Márquez. Sua infância e o imaginário transmitido por sua mãe a respeito das lendas urbanas de Campo Grande serviram para sua transição das crônicas do cotidiano para os romances de ficção e mistério. É autor de sete livros entre romance, contos e crônicas, com obras premiadas e mesmo publicadas internacionalmente, destacando-se entre eles A Bruxa da Sapolândia, e O Santo de Cicatriz e Todo bicho alado sente medo do vento; recentemente, lançou Flores azuis não vão para o céu.

BRÍGIDO IBANHES – Breve resumo

Natural de Bela Vista, localizado na fronteira com o Paraguai e banhado pelo Rio Apa, Brígido Ibanhes teve esse cenário geográfico e sociocultural definindo não apenas sua identidade, mas toda a sua trajetória literária e de vida. Técnico em contabilidade por formação inicial, construiu uma carreira multifacetada como escritor, ativista cultural e defensor dos direitos humanos e da cidadania.

Crescer no ambiente dinâmico fronteiriço — onde convergem o português, o espanhol, o guarani e a cultura de dois países — transformou Ibanhes em um atento observador da linguagem de fronteira, da história local, dos mitos populares e das tensões sociais da região. Sua escrita transita entre o jornalismo investigativo, a pesquisa histórica e a ficção, destacando-se pela recuperação da memória coletiva e por dar voz a figuras marginalizadas ou esquecidas pela historiografia oficial.

Seu estilo é definido pelo regionalismo fronteiriço sul-mato-grossense, caracterizado pelo resgate da tradição oral e mitológica guarani, denúncia política e preservação da memória. Sua produção engloba contos, memórias e ensaios biográfico-históricos de grande relevância acadêmica e literária. Autor de onze livros, entre os de maior destaque estão: Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros, Che Ru (Chirú): O Pequeno Brasiguaio – A Integração de um Povo e Che Retã. Frequentemente citado em teses e dissertações acadêmicas que analisam o “Discurso de Fronteira” e a literatura de Mato Grosso do Sul, ao lado de nomes como Hélio Serejo ajudou a mapear o imaginário cultural de uma região historicamente esquecida pelos grandes centros urbanos do país.

Exerceu papel fundamental na consolidação de instituições culturais, tendo sido membro-fundador da Academia Douradense de Letras (ADL) e seu primeiro presidente, conduzindo-a em três mandatos alternados. Atuou como conselheiro e membro titular do Conselho Municipal de Cultura de Dourados e da Câmara Setorial de Livro, Leitura e Literatura do Fórum Estadual de Cultura de MS, e foi nomeado Cônsul por Dourados (MS) para a organização internacional POETAS DEL MUNDO. Também teve ampla atuação em direitos humanos e gestão cultural.

A ACADEMIA SUL-MATO-GROSSENSE DE LETRAS

Fundada pelos escritores Ulysses Serra, Germano de Souza e José Couto Pontes, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) conta com 54 anos de história e 40 cadeiras vitalícias, inspiradas no modelo da ABL. Originalmente batizada como Academia de Letras e História de Campo Grande, a instituição mudou para o nome atual em dezembro de 1978, acompanhando a criação do estado de Mato Grosso do Sul. A instituição é um pilar da cultura estadual, adotando critérios rigorosos na eleição de seus membros e atua firmemente na valorização da língua portuguesa, da literatura e da cultura local e nacional. Detalhes sobre seus acadêmicos e atividades estão disponíveis no site oficial: www.acletrasms.org.br. Os atuais membros da ASL são: Abrão Razuk; Altevir Soares de Alencar; Américo Calheiros; Ana Maria Bernardelli; Elizabeth Fonseca; Emmanuel Marinho; Enilda Mougenot; Fabio do Vale; Geraldo Ramon; Guimarães Rocha; Henrique Alberto de Medeiros; Humberto Espíndola; Ileides Muller; José Couto Vieira Pontes; José Pedro Frazão; Lenilde Ramos; Lucilene Machado; Marcos Estevão; Maria Adélia Menegazzo; Marisa Serrano; Orlando Antunes Batista; Oswaldo Almeida; Padre Afonso de Castro; Paulo Correa de Oliveira; Paulo Nolasco dos Santos; Paulo Tadeu Haedchen; Pedro Chaves; Raquel Naveira; Reginaldo Araújo; Renato Toniasso; Rubenio Marcelo; Samuel Medeiros; Sergio Fernandes Martins; Sergio Cruz; Sylvia Cesco; Theresa Hilcar e Valmir Batista Corrêa. André Alvez e Brígido Ibanhes foram eleitos e aguardam solenidades de posse.

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) promove, em junho, mais uma edição do projeto Leituras & Conversas, dedicada à obra de Charles Bukowski. O encontro será na quinta-feira, 11 de junho, às 19h30, no auditório da instituição. A entrada é franca.

O projeto, que ocorre mensalmente de março a novembro (exceto em julho), adota formato de clube de leitura para estimular a troca de impressões entre participantes. A edição é coordenada pelas imortais Lenilde Ramos, Maria Adélia Menegazzo e Sylvia Cesco.

Como convidado especial, o escritor Henrique Pimenta conduzirá a apresentação sobre Bukowski. Mestre em Literatura pela UFMS, Pimenta é autor, ensaísta, preparador e revisor de textos, além de ministrar oficinas de escrita criativa. É curador e mediador do Clube de Leitura do Sesc Cultura MS, produtor e mediador do Dedo de Prosa (FLIBonito) e autor do livro de contos Ele adora a desgraça azul, vencedor do Prêmio Guavira e do Prêmio Leia.

Escritor Henrique Pimenta

Segundo o presidente da ASL, Henrique de Medeiros, por uma questão de logística interna da ASL o projeto terá uma pausa em julho e será retomado em agosto. Nas próximas edições, o Leituras & Conversas ainda abordará em 2026 autores como Aglay Trindade, Elias Borges, João Cabral de Melo Neto e Milton Hatoum, reunindo vozes da literatura regional, nacional e internacional.

CHARLES BUKOWSKI

Nascido na Alemanha em 1920 e criado em Los Angeles, Charles Bukowski consolidou-se como uma das vozes mais viscerais, polêmicas e influentes da literatura do século XX. Frequentemente associado ao “realismo sujo” (dirty realism), Bukowski construiu vasta obra composta por mais de 60 livros, entre romances, coletâneas de contos e milhares de poemas, caracterizados por uma linguagem direta, coloquial e desprovida de sentimentalismos.

Bukowski tateou as margens do “Sonho Americano”. Seus escritos jogam luz sobre a rotina da classe trabalhadora, a solidão urbana, o alcoolismo e as relações humanas em seu estado mais bruto. Longe de ser apenas um provocador, o autor escondia, sob a superfície de sua prosa cáustica, uma profunda sensibilidade poética e uma busca incessante pela verdade lírica

O rigor estilístico e o impacto duradouro de sua obra continuam a ressoar com vigor na literatura contemporânea e a arrebatar novas gerações de leitores em todo o mundo.

SERVIÇO

Leituras & Conversas na ASL
“Sobre Charles Bukowski”

Dia 11 de junho de 2026, às 19h30min
Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada franca | evento presencial | traje esporte