“Nasci num país chamado fronteira, e de lá chego trazendo o sapicuá cheio do linguajar fronteiriços”, afirmou em seu discurso o escritor fronteiriço Brígido Ibanhes, ao ser empossado como novo integrante entre os imortais sul-mato-grossenses, em solenidade realizada na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras no sábado, dia 22. Brígido assumiu a Cadeira nº 13, que anteriormente pertenceu ao Prof. J. Barbosa Rodrigues e a Antonio João Hugo Rodrigues.

Brígido Ibanhes passa a conviver, como imortal, do amplo painel literocultural da ASL no Estado. “A fronteira é um país que se estende pelo leito do Rio Apa e une duas comunidades irmãs no sangue originário, e que sempre gerou homens e mulheres do bem, humildes, honestos, valentes, nunca se entregam aos infortúnios, onde a palavra tem o peso da honra, trabalhadores incansáveis para garantir uma vida digna e de fraternidade”, disse ainda Ibanhes, após abordar em seu discurso seus antecessores.

A saudação oficial da ASL ao novo acadêmico foi feita por Samuel Medeiros, que em seu discurso de recepção a Ibanhes destacou sua presença como novo ocupante da cadeira 13, ratificando que entende “a literatura de Brígido com uma visão talvez um pouco diversificada da maioria. Ora ele se apresenta como  historiador, ora com romancista e até cronista e dos bons. Mas no meio de tudo está sua visão política sobre o Brasil numa forma de memórias, porém memórias de fatos verdadeiros”. Samuel ressaltou ainda que “a obra de nosso novo confrade vem como fruto de memória aguçada e de observador dos fatos”.

O presidente da Academia, escritor e publicitário Henrique de Medeiros, lembrou em seu pronunciamento a participação de Brígido Ibanhes na cultura e linguagem fronteiriças e sua obra extremamente reconhecida, sendo que sua trajetória “pode ser considerada como a resistência e a vitória de um verdadeiro brasileiro, pela sua história de vida”.

O rito de posse foi conduzido e chancelado pelo secretário-geral da Academia, escritor Rubenio Marcelo, que assim afirmou: “a chegada do Brígido à ASL vem celebrar o efetivo compromisso que esta Casa estadual de Letras sempre teve e terá com a arte literária regional e especialmente a relevante literatura fronteiriça, pilar fecundo da história e da identidade cultural desta terra”.

Os acadêmicos Reginaldo Araújo e Valmir Batista Corrêa conduziram o novo acadêmico para a abertura da solenidade. Antes, o poeta, ator performático e repentista Ruberval Cunha, criador do Improviso Guaicuru, fez a apresentação cultural da solenidade.

O novo acadêmico

Natural de Bela Vista, localizada na fronteira com o Paraguai e banhado pelo Rio Apa, Brígido Ibanhes teve esse cenário geográfico e sociocultural definindo não apenas sua identidade, mas toda a sua trajetória literária e de vida. Técnico em contabilidade por formação inicial, construiu uma carreira multifacetada como escritor, ativista cultural e defensor dos direitos humanos e da cidadania.

Crescer no ambiente dinâmico fronteiriço — onde convergem o português, o espanhol, o guarani e a cultura de dois países — transformou Ibanhes em um atento observador da linguagem de fronteira, da história local, dos mitos populares e das tensões sociais da região. Sua escrita transita entre o jornalismo investigativo, a pesquisa histórica e a ficção, destacando-se pela recuperação da memória coletiva e por dar voz a figuras marginalizadas ou esquecidas pela historiografia oficial.

Seu estilo é definido pelo regionalismo fronteiriço sul-mato-grossense, caracterizado pelo resgate da tradição oral e mitológica guarani, denúncia política e preservação da memória. Sua produção engloba contos, memórias e ensaios biográfico-históricos de grande relevância acadêmica e literária. Autor de onze livros, entre os de maior destaque estão: Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros, Che Ru (Chiru): O Pequeno Brasiguaio – A Integração de um Povo e Che Retã. Frequentemente citado em teses e dissertações acadêmicas que analisam o “Discurso de Fronteira” e a literatura de Mato Grosso do Sul, ao lado de nomes como Hélio Serejo ajudou a mapear o imaginário cultural de uma região historicamente esquecida pelos grandes centros urbanos do país.

Exerceu papel fundamental na consolidação de instituições culturais, tendo sido membro-fundador da Academia Douradense de Letras (ADL) e seu primeiro presidente, conduzindo-a em três mandatos alternados. Atuou como conselheiro e membro titular do Conselho Municipal de Cultura de Dourados e da Câmara Setorial de Livro, Leitura e Literatura do Fórum Estadual de Cultura de MS, e foi nomeado Cônsul por Dourados (MS) para a organização internacional POETAS DEL MUNDO. Também teve ampla atuação em direitos humanos e gestão cultural.

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras


Ao longo de sua trajetória, a ASL consolidou-se como uma das principais instituições culturais de Mato Grosso do Sul, reunindo escritores escolhidos segundo critérios de habilitação e eleição para o preenchimento de suas cadeiras. A Academia tem entre suas finalidades a valorização da língua portuguesa, o estímulo à criação literária e a preservação, promoção e difusão da produção intelectual e do patrimônio cultural de Mato Grosso do Sul e do Brasil.

Com 40 cadeiras vitalícias, nos moldes da Academia Brasileira de Letras (ABL), a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) foi fundada em 30 de outubro de 1971 pelos escritores Ulisses Serra, Germano de Souza e José Couto Vieira Pontes. Inicialmente denominada Academia de Letras e História de Campo Grande, a instituição passou a adotar sua atual denominação no final de 1978, às vésperas da instalação do Estado de Mato Grosso do Sul.

Mais informações sobre a Academia, suas atividades e seus integrantes estão disponíveis em seu site: acletrasms.org.br. Os atuais membros da ASL são: Abrão Razuk; Altevir Soares de Alencar; Américo Calheiros; Ana Maria Bernardelli; André Alvez; Brígido Ibanhes; Elizabeth Fonseca; Emmanuel Marinho; Enilda Mougenot; Fabio do Vale; Geraldo Ramon; Henrique Alberto de Medeiros; Humberto Espíndola; Ileides Muller; José Couto Vieira Pontes; José Pedro Frazão; Lenilde Ramos; Lucilene Machado; Marcos Estevão; Maria Adélia Menegazzo; Marisa Serrano; Orlando Antunes Batista; Oswaldo Almeida; Padre Afonso de Castro; Paulo Correa de Oliveira; Paulo Nolasco dos Santos; Paulo Tadeu Haedchen; Pedro Chaves; Raquel Naveira; Reginaldo Araújo; Renato Toniasso; Rubenio Marcelo; Samuel Medeiros; Sergio Fernandes Martins; Sergio Cruz; Sylvia Cesco; Theresa Hilcar e Valmir Batista Corrêa.

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras promoverá seu Chá Acadêmico de agosto no dia 24, com o imortal Ignácio de Loyola Brandão, cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras, pelo ciclo 2026 do projeto “ABL na ASL: Palestras Imortais”. O evento se dará excepcionalmente nesta segunda-feira, em função das comemorações do aniversário de Campo Grande. Será às 19h30min, presencial e com entrada franca no auditório da ASL, na rua 14 de Julho, 4653, em Campo Grande, sendo desenvolvido em parceria entre a ASL e o Governo do Estado, por meio da Setesc (Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura) e da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Loyola irá proferir a palestra com o tema “Conversa Literária”. O Chá Acadêmico terá também na sua programação da noite os tradicionais projetos com a UFMS e a Confraria SociArtista. O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, comentou que “muito além de palestras, os encontros com Loyola Brandão mostram que a trajetória pessoal e os causos do cotidiano se transformam em convites vivos para a leitura, a reflexão e o diálogo aberto com o público, com uma conversa literária que é uma ponte entre a vida e a literatura”.

LOYOLA BRANDÃO

Ignácio de Loyola Lopes Brandão é contista, romancista, cronista e jornalista brasileiro. Iniciou sua trajetória na imprensa e estreou na literatura em 1965 com o livro de contos Depois do Sol. Ocupa a cadeira 11 a Academia Brasileira de Letras, e sua obra possui crítica social, realismo feroz e reflexões sobre a opressão, o autoritarismo e as questões ambientais. Durante a ditadura militar, destacou-se com romances contundentes como Zero (1975) — proibido pela censura da época — e Não Verás País Nenhum (1981), que se tornaram clássicos da distopia e da resistência política. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, publicou dezenas de livros em diversos gêneros, incluindo literatura infantojuvenil e relatos de viagens. Entre seus livros mais conhecidos, além dos citados estão Bebel Que a Cidade Comeu, Dentes Ao Sol, Cadeiras Proibidas, O Beijo Não Vem da Boca, O Anônimo Célebre, entre outros.  Foi agraciado com importantes prêmios literários, conquistando o Prêmio Jabuti em múltiplas ocasiões e o Prêmio Machado de Assis da ABL pelo conjunto de sua obra, além do Prêmio Fundação Biblioteca Nacional. Já publicou cerca de 50 livros, entre romances, contos, crônicas, infanto-juvenis, teatro e viagens. Loyola fez roteiros para filmes, teve livros adaptados para teatro e balé. Viveu na Itália e na Alemanha, tem livros traduzidos para o inglês, espanhol, alemão, italiano, húngaro, checo, coreano do sul.

ASL-CONFRARIA SOCIARTISTA: LIZETE MEDEIROS DE SOUZA

A noite contará com a tradicional participação da Confraria SociArtista, que integra o projeto “Arte na Academia”, com participações e presenças de artistas visuais convidados integrantes do movimento. Este mês, com Lizete Medeiros de Souza, residente em Campo Grande, artista que também se dedica ao modelismo de roupas e desde a infância desenha e trabalha a pintura. Na fase adulta dedicou-se às artes visuais, se apaixonou pela pintura e busca constante aperfeiçoamento, dedicando-se a desenvolver sua criatividade como artista na evolução com a técnica de pintura abstrata sobre tela.

ASL-UFMS: QUARTETO DE VIOLÕES DA OVCG

O projeto “Música Erudita e suas Fronteiras” – realizado em parceria pela ASL e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul dentro do projeto “Movimento Concerto” –, terá este mês a participação do Quarteto de Violões da OVCG, que nasceu da tradicional Orquestra de Violões de Campo Grande e traz repertório diverso. O Quarteto herda a essência e a maturidade da Orquestra, transitando com naturalidade por um repertório marcado pela diversidade. As apresentações reúnem desde obras consagradas da música de concerto e clássicos da música popular até composições autorais dos próprios integrantes. A direção artística, a regência e os arranjos refinados estão a cargo do maestro Anderson Francellino, que conduz a construção de repertório e garante rigor técnico e sensibilidade artística que são marcas registradas da instituição. Recentemente, a Orquestra teve seu trabalho chancelado e aprovado pelo Fundo de Investimentos Culturais de Mato Grosso do Sul (FIC/MS), reforçando o reconhecimento público de sua relevância e garantindo a continuidade de suas ações formativas e artísticas. O Quarteto representa união entre a tradição clássica e a alma sul-mato-grossense.

SERVIÇO

Chá Acadêmico
ABL na ASL, Palestras Imortais

Ignácio de Loyola Brandão
“Conversas Literárias”

Dia 24 de agosto de 2026, às 19h30min
(Com os projetos “Música Erudita e suas Fronteiras”, com a
UFMS; e “Arte da Academia”, com a Confraria SociArtista)

Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada franca | Evento presencial | Traje esporte

Nesta quinta-feira, 20, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras realiza a cerimônia de premiação do Concurso de Poesias “Oliva Enciso”, iniciativa lançada em julho para incentivar a produção literária em Mato Grosso do Sul. Aberto gratuitamente ao público, o evento reunirá os autores classificados para a entrega de certificações e dos prêmios em dinheiro destinados aos três primeiros colocados: R$ 3.000 para o primeiro lugar, R$ 2.000 para o segundo e R$ 1.000 para o terceiro.

O primeiro lugar foi conquistado por Marlene Ferraz dos Santos, de Campo Grande, com o poema “Roseiras desabrocham no inverno”. Soraia Aparecida Roques Pereira, também da Capital, ficou em segundo lugar com “Sensibilidade”, enquanto Diana Pilatti Onofre, igualmente campo-grandense, conquistou a terceira colocação com “Azul-violáceo”. Os autores classificados até a décima posição receberão certificação.

Durante a cerimônia, os dez poemas classificados serão interpretados por Acadêmicos da ASL, em uma apresentação que integra a programação da premiação e da entrega dos certificados. O concurso contou com o apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Desporto e Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Entre os textos selecionados, estão poemas que serão conhecidos integralmente pelo público durante a noite de premiação. Um dos trechos que integram a seleção é:

“Esse corpo nunca pertenceu como às roseiras.
Pertence também ao olhar que acredita nas estações.
Meu broto desconhece o calendário.
Ele mede o tempo pela sede.
Toda flor é uma forma de desmentir o relógio.
Toda espera amadurece na escuridão.”

A avaliação dos trabalhos ficou a cargo de uma Comissão formada por membros da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, escritores que ocupam cadeiras da instituição. “Em meio aos poemas enviados de vários muncípios sul-mato-grossenses, critérios como originalidade e domínio da linguagem foram considerados para a premiação”, comentou o presidente da ASL, Henrique de Medeiros. Segundo ele, o concurso contribui tanto para o reconhecimento de autores com trajetória na literatura quanto para a descoberta de novas vozes e o estímulo permanente à leitura e à escrita.

Outro trecho de um dos poemas classificados é:

“hoje o corpo já não testemunha
assina o próprio nome no silêncio
e a linguagem aprende enfim
o feminino não é destino
é verbo”

Com inscrições estaduais e gratuitas, o certame teve ampla divulgação e adotou o uso de pseudônimos como forma de preservar a imparcialidade na avaliação dos textos. Cada participante pôde inscrever um único poema, de tema livre, desde que tivesse 18 anos ou mais e residisse em Mato Grosso do Sul.

A seleção reúne, ainda, o seguinte trecho de um dos poemas classificados:

“As patas-de-vaca já estão floridas.
Ao longo da calçada, no velho centro da cidade,
elas resistem, brancas, lilases, róseas.
Pequenos paradoxos perfumados e silenciosos.”

Completam a relação dos dez classificados: em 4º lugar, Júlia Maria Martins, de Cassilândia, com “Amarras”; em 5º, Reginaldo Costa de Albuquerque, de Campo Grande, com “Altar de metal e asas”; em 6º, Dafne de Oliveira Guenka Ramos, de Campo Grande, com “Portal“; em 7º, João da Silva Junior, de Campo Grande, com “Da Janela do vagão”; em 8º, Angelica Cardoso Rodrigues, de Jardim, com “Tocar não basta”; em 9º, Daniel Abrão, de Campo Grande, com “Ensaios sobre a invenção da origem”; e, em 10º, Julio Cezar Oliveira Costa, também da Capital, com “Viveu até não conseguir mais”.

O Concurso de Poesias “Oliva Enciso” presta homenagem à saudosa acadêmica da ASL, corumbaense e pioneira da participação feminina na educação, na cultura e na política de Mato Grosso do Sul. Ao recuperar seu nome e sua trajetória, a iniciativa reafirma o propósito de reconhecer a produção literária sul-mato-grossense, valorizar autores que já contribuem para as Letras do Estado e abrir espaço para novas vozes da poesia.

SERVIÇO

Concurso de Poesias “Oliva Enciso”
Noite de Premiação e Leitura

Dia 20 de agosto de 2026, às 19h30min

Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada gratuita | Evento presencial | Traje esporte

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) realiza, em agosto, mais uma edição do projeto Leituras & Conversas, desta vez dedicada à obra de Machado de Assis. O encontro acontece na quinta-feira, dia 13, às 19h30, no auditório da instituição, com entrada franca. Desenvolvido mensalmente, de março a novembro, o projeto adota o formato de clube de leitura, incentivando o diálogo e a troca de interpretações entre os participantes. A coordenação desta edição é das acadêmicas Lenilde Ramos, Maria Adélia Menegazzo e Sylvia Cesco.

Como convidada especial, a escritora Jucelia Souza da Silva conduzirá a apresentação sobre Machado de Assis. Natural de Campo Grande-MS, professora no Curso de Educação do Campo na UFMS, graduada em Letras, mestra em Estudos de Linguagens e doutora em Letras – Estudos Literários, Jucelia é também escritora, tendo participação em diversas coletâneas de contos de ordem coletiva, autora de Heitor, páginas de ti (ANE -MS, 2001), Contis da Gaveta: meta ficção e cotidiano (Life, 2020) e seu recente romance Antes de Nós (Oito e Meio / Flyve, 2025), o qual apresenta no Dedo de Prosa da edição 2026 da FLIB. 

Para o presidente da ASL, Henrique de Medeiros, o Leituras & Conversas consolida-se como um dos projetos de maior aproximação entre a Academia e a comunidade, reunindo um público crescente a cada encontro. Após a edição dedicada a Machado de Assis, a programação de 2026 prosseguirá nos próximos meses com edições sobre Elias Borges, João Cabral de Melo Neto e Aglay Trindade, ampliando o diálogo entre autores da literatura regional, brasileira e universal.

MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis (1839–1908) é amplamente reconhecido como o maior nome da literatura brasileira e um dos mais importantes escritores da língua portuguesa. Nascido no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira açoriana, teve origem humilde e formação essencialmente autodidata. Superando limitações sociais, econômicas e de saúde, tornou-se referência permanente da cultura nacional. Sua produção literária abrange romances, contos, crônicas, poesias, peças teatrais e crítica, marcada pela refinada elaboração da linguagem, ironia, análise psicológica e profunda investigação da natureza humana.

Machado de Assis renovou a literatura ao romper convenções narrativas, dialogar diretamente com o leitor e explorar temas universais como memória, ambição, ciúme, poder, hipocrisia e fragilidade moral. Seus contos figuram entre os mais importantes da literatura ocidental, reunindo precisão estilística e extraordinária capacidade de observação do comportamento humano. Além da obra literária, exerceu relevante atuação no serviço público e no jornalismo.

Em 1897, foi o principal idealizador e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, instituição que dirigiu até sua morte e que permanece como uma das principais referências culturais do país. Traduzido para dezenas de idiomas e continuamente estudado em universidades de todo o mundo, Machado de Assis permanece como autor indispensável para a compreensão da literatura e da sociedade brasileiras. Sua obra, ao mesmo tempo profundamente nacional e universal, dialoga com sucessivas gerações de leitores, reafirmando sua posição entre os grandes clássicos da literatura mundial.

SERVIÇO

Leituras & Conversas na ASL
“Sobre Machado de Assis”

Dia 13 de agosto de 2026, às 19h30min
Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada franca | evento presencial | traje esporte

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) recebeu, na noite de sábado (08), seu mais novo integrante; em cerimônia realizada na sede da instituição, o cronista e romancista André Alvez tomou posse da Cadeira nº 28 da ASL, anteriormente ocupada pelo escritor Augusto César Proença, falecido em 2023. Olho ao lado e vejo nomes que para mim são referência, muitos dos quais tenho o prazer da convivência e posso, para meu orgulho, chamar de amigos. Vejo-os como patrimônios de nossa cultura, gente séria, que de fato trabalha e zela pela preservação de nossa literatura”, afirmou em seu discurso o novo acadêmico.

André Alvez fez a leitura do termo de juramento

Alvez também dedicou a posse ao universo literário que construiu ao longo de sua trajetória, lembrando personagens que marcaram sua obra e reafirmando sua ligação com Campo Grande. “Entram comigo nesta Casa os meus personagens, Vladimir de La Mancha, São Damião, Calixto Azoague, Edward, Natanael, Sofia, a Bruxa da Sapolândia e muitos mais. E, por fim, a minha cidade, a terra do chão vermelho, poeira e barro que estão para sempre colados nos meus pés, por inteira, nas asas das borboletas e assoprada pelo vento, a minha Campo Grande.” Ao concluir, resumiu o significado daquele momento: “a honra abraça a emoção e sinto-me tomado pelo orgulho de à partir desse momento, pertencer à ASL”.

A saudação em nome da Academia foi conduzida pela escritora, ensaísta, pesquisadora e professora universitária Lucilene Machado, ocupante da Cadeira nº 36. Em seu discurso, ela destacou a relevância da trajetória do novo confrade e sua contribuição para a literatura produzida em Mato Grosso do Sul. Para Lucilene, André Alvez é “um guardião das palavras; sua trajetória revela um escritor atento às múltiplas formas de narrar o Mato Grosso do Sul e, sobretudo, a cidade de Campo Grande. Em sua obra, o cotidiano transforma-se em matéria literária, a memória ganha permanência e aquilo que poderia parecer banal torna-se digno de ser contado e preservado”.

A acadêmica Lucilene Machado fez o discurso de recepção pela ASL

Ao abordar a formação e a produção do escritor, ressaltou que “como um grande leitor, construiu uma sólida formação intelectual que se reflete tanto em suas produções literárias quanto em seus trabalhos audiovisuais. Sua escrita revela o encontro entre técnica, sensibilidade e profundo compromisso com a cultura regional”. Lucilene afirmou que “a verdadeira posse não acontece quando um escritor ocupa uma cadeira; acontece quando sua imaginação passa a habitar a instituição”.

Durante a solenidade, o presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, o escritor e publicitário Henrique Alberto de Medeiros Filho, destacou que a eleição e a posse de André Alvez representam o reconhecimento de uma trajetória construída por meio da literatura e da participação constante na vida cultural sul-mato-grossense. Ressaltou sua atuação como cronista, contista e articulista, sempre presente em diferentes espaços de divulgação e valorização da produção literária do Estado.

O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, destacou o reconhecimento da trajetória de André Alvez

A solenidade de posse — extremamente prestigiada — foi conduzida pelo secretário-geral da ASL, Rubenio Marcelo, que destacou o significado da chegada de André Alvez para a Academia, ressaltando a continuidade do compromisso da instituição com a valorização da literatura, da cultura e dos escritores sul-mato-grossenses.

O novo imortal André Alvez

O novo imortal

André Luiz Alvez é escritor, roteirista, pós-graduado em Literatura Brasileira pela UCDB e publicitário formado pela UNISA-SP. Nasceu e cresceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com forte ligação ao antigo bairro Amambaí; com uma sólida trajetória no cenário cultural de Mato Grosso do Sul, consolidou-se como um dos nomes mais ativos de sua geração, atuando como romancista, cronista, contista e palestrante. Presidiu a União Brasileira de Escritores de MS (UBE-MS) entre 2017 e 2018.

Como cronista urbano, registrou o cotidiano sul-mato-grossense no jornal Correio do Estado (Caderno B) de 2008 a 2019. Atualmente, assina a coluna semanal “Beba das crônicas” no portal Campo Grande News. Paralelamente à literatura, André possui forte inserção no audiovisual, tendo se especializado em roteiro e direção cinematográfica através de oficinas com grandes nomes do cinema nacional, como Anna Muylaert e José Eduardo Belmonte.

Já ministrou palestras na ASL como convidado, abordando escritores como Hemingway e García Márquez. Sua infância e o imaginário transmitido por sua mãe a respeito das lendas urbanas de Campo Grande serviram para sua transição das crônicas do cotidiano para os romances de ficção e mistério. É autor de sete livros entre romance, contos e crônicas, com obras premiadas e mesmo publicadas internacionalmente, destacando-se entre eles A Bruxa da Sapolândia, e O Santo de Cicatriz e Todo bicho alado sente medo do vento; recentemente, lançou Flores azuis não vão para o céu.

Os acadêmicos da ASL em foto oficial após a posse (com a presença da secretária-adjunta da Setesc, Giovana Correa)

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

Com 40 cadeiras vitalícias, nos moldes da Academia Brasileira de Letras (ABL), a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras foi fundada em 30 de outubro de 1971 pelos escritores Ulisses Serra, Germano de Souza e José Couto Vieira Pontes. Criada inicialmente como Academia de Letras e História de Campo Grande, adotou sua denominação atual no fim de 1978, às vésperas da instalação do Estado de Mato Grosso do Sul. Reconhecida como uma das principais referências culturais sul-mato-grossenses, a ASL reúne escritores eleitos segundo rigorosos critérios de habilitação e escolha de novos membros. A instituição dedica-se à valorização da língua portuguesa, ao incentivo à criação literária e à preservação e difusão do patrimônio cultural e das manifestações literárias de Mato Grosso do Sul e do Brasil. Mais informações sobre a Academia e seus integrantes estão disponíveis em seu site: acletrasms.org.br .

Os atuais membros da ASL são: Abrão Razuk; Altevir Soares de Alencar; Américo Calheiros; Ana Maria Bernardelli; André Alvez; Elizabeth Fonseca; Emmanuel Marinho; Enilda Mougenot; Fabio do Vale; Geraldo Ramon; Henrique Alberto de Medeiros; Humberto Espíndola; Ileides Muller; José Couto Vieira Pontes; José Pedro Frazão; Lenilde Ramos; Lucilene Machado; Marcos Estevão; Maria Adélia Menegazzo; Marisa Serrano; Orlando Antunes Batista; Oswaldo Almeida; Padre Afonso de Castro; Paulo Correa de Oliveira; Paulo Nolasco dos Santos; Paulo Tadeu Haedchen; Pedro Chaves; Raquel Naveira; Reginaldo Araújo; Renato Toniasso; Rubenio Marcelo; Samuel Medeiros; Sergio Fernandes Martins; Sergio Cruz; Sylvia Cesco; Theresa Hilcar e Valmir Batista Corrêa. Brígido Ibanhes foi eleito e aguarda solenidade de posse.

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) vem anunciar, em seu portal oficial, os vencedores da edição 2026 do Concurso de Poesias “Oliva Enciso”. Voltada ao incentivo da produção literária em Mato Grosso do Sul, a iniciativa recebeu inscrições gratuitas e contou com o apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Na edição 2026, as poesias premiadas e classificadas em primeiro, segundo e terceiro lugar foram: 1º lugar, poema “Roseiras desabrocham no inverno”, de Marlene Ferraz dos Santos (Campo Grande); 2º lugar, poema “Sensibilidade”, de Soraia Aparecida Roques Pereira (Campo Grande); e 3º lugar, “Azul-violáceo”, de Diana Pilatti Onofre (Campo Grande).

O Concurso ofereceu prêmios de R$1.000,00 a R$3.000,00, aberto aos escritores sul-mato-grossenses com inscrições gratuitas. O Concurso da Academia teve apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Desporto e Cultura, pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS, e presta homenagem à saudosa corumbaense que ocupou a cadeira 22 da ASL. Os poemas serão divulgados e declamados no dia 20 de agosto, em evento para entrega dos prêmios no auditório da ASL, às 19h30min.

O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, destacou que “a Academia entende que incentivar a poesia é investir na permanência da literatura como espaço de criação, reflexão e diálogo entre diferentes gerações de escritores.” Para Henrique, “a cada edição, o Concurso reforça o compromisso com a produção literária e com a descoberta de novos talentos da poesia sul-mato-grossense.”

O julgamento foi efetuado por duas bancas compostas por Acadêmicos da ASL. Na premiação no dia 20 de agosto, aberta gratuitamente ao público, as obras dos 10 primeiros colocados serão apresentadas e interpretadas por Acadêmicos e premiados os três primeiros ─ receberão os respectivos prêmios em dinheiro: R$ 3.000 (1º lugar); R$ 2.000 (2º lugar) e R$ 1.000 (3º lugar).

Em reconhecimento à sua qualidade literária (receberão diploma de classificação), as Comissões Organizadora e Julgadora decidiram completar a ordem de classificação não premiável financeiramente a mais estes sete poemas:

4º lugar, poema “Amarras”, de Júlia Maria Martins (Cassilândia)

5º lugar, poema “Altar de metal e asas”, de Reginaldo Costa de Albuquerque (Campo Grande)

6º lugar, poema “Portal“, de Dafne de Oliveira Guenka Ramos (Campo Grande)

7º lugar, poema “Da Janela do vagão”, de João da Silva Junior (Campo Grande)

8º lugar, poema “Tocar não basta”, de Angelica Cardoso Rodrigues (Jardim)

9º lugar, poema “Ensaios sobre a invenção da origem”, de Daniel Abrão (Campo Grande)

10º lugar, poema “Viveu até não conseguir mais”, de Júlio Cezar Oliveira Costa (Campo Grande)

“A análise formal de um poema” será o tema da palestra da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras em seu Chá Acadêmico de julho, com o imortal Paulo Henriques Britto, da Academia Brasileira de Letras. O tema irá permitir análises sobre o domínio da arquitetura do texto — considerando a métrica, a sonoridade e o ritmo como ferramenta estratégica para potencializar a emoção e o sentido da obra. O Chá Acadêmico terá também na sua programação da noite os tradicionais projetos com a UFMS e a Confraria SociArtista.

O evento será nesta quinta-feira, dia 30, às 19h30min, presencial e com entrada franca no auditório da ASL, na rua 14 de Julho, 4653, em Campo Grande. O Chá Acadêmico faz parte do ciclo 2026 do projeto “ABL na ASL: Palestras Imortais” ─ que é desenvolvido em parceria entre a ASL e o Governo do Estado, por meio da Setesc – Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura – e da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).  

O imortal Paulo Henriques, palestrante de agosto no Chá Academico

Segundo Paulo Henriques Britto,a palestra se desenvolverá como “uma proposta de leitura aprofundada do poema que leva em conta, além do nível do significado, da linguagem figurada (metáfora, metonímia etc.) e dos efeitos de sintaxe”. Henriques Britto irá abordar ainda a estrutura métrica e rítmica do poema, bem como a utilização de outros recursos de natureza fonológica, como assonância e aliteração, além de propor também um sistema de notação, desenvolvido a partir do modelo de Cavalcanti Proença (1955).

O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, comentou que “abordar esse tema mostra aos autores como, além da criatividade, a escolha consciente da estrutura transforma uma boa ideia em obras de força literária”.

PAULO HENRIQUES BRITTO

Escritor, tradutor e professor universitário, Paulo Henriques Britto é considerado um dos nomes mais expressivos da literatura brasileira contemporânea. Ocupa a cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras. Professor do Departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUCC-Rio), leciona criação literária, literatura brasileira e tradução. Sua produção literária e tradutória – poeta, contista, ensaista – lhe rendeu importantes prêmios do meio cultural, como o Portugal Telecom (atual Oceanos), o Prêmio Bravo! Bradesco Prime, o da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e o da Fundação Biblioteca Nacional, e o segundo ou terceiro lugar do Jabuti em três ocasiões.

Como autor, sua poesia destaca-se pelo rigor formal, pelo domínio da métrica e pelo tom de ironia refinada e reflexão existencial. Entre seus principais livros de poemas estão A inércia e outros poemas (1997), Macarrão de anjo (2006), Formas do nada (2012) e Nenhum nome (2018). Na ficção, publicou as coletâneas de contos Paraísos artificiais (2004) e O chanfalho (2014).

Antologias de poemas seus foram publicadas em inglês (BOA, 2007) e em sueco (Wahlström & Widstrand , 2014), e sua poesia reunida foi editada em Portugal (Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2021); seu ensaio A tradução literária foi publicado em espanhol no Chile (Ediciones Universidad Católica de Chile, 2023).

Reconhecido como um dos tradutores mais prestigiados do país, tem mais de uma centena de obras vertidas do inglês para o português. Foi responsável por traduzir grandes nomes da literatura mundial, como Elizabeth Bishop, William Faulkner, Philip Roth, Thomas Pynchon, Wallace Stevens e John Updike. Também verteu para o inglês livros de autores brasileiros, inclusive obras de Luiz Costa Lima, Flora Süssekind e Ferreira Gullar. 

“A Menina do Vestido Azul” é o tema de Adriana Teixeira

CONFRARIA: ADRIANA TEIXEIRA

O projeto “Arte na Academia”, da Confraria SociArtista com a ASL, traz arte com os trabalhos visuais de Adriana Teixeira, natural de Minas Gerais, que teve seu primeiro contato com a pintura ainda na infância. É graduada em Letras pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), especialista em Literatura Comparada pela mesma instituição, mestre em Teoria Literária e Crítica da Cultura pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e especialista em Artes Visuais pela FACUMINAS. Sua formação reúne literatura e artes visuais, áreas que dialogam de maneira constante em sua produção artística. Integra a Associação de Artistas Visuais e Profissionais de Mato Grosso do Sul (Confraria Sociartista), participando de exposições, projetos culturais e oficinas de arte, além de receber prêmios e menção honrosa por sua produção.

Na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, Adriana apresentará a série A Menina do Vestido Azul, que convida o público a atravessar a fronteira entre o real e o imaginário. Habitante de um universo onde a lógica abre espaço para a fantasia, a personagem vive aventuras que transformam gestos cotidianos em acontecimentos extraordinários: passeia entre as nuvens, atravessa o céu sobre uma corda bamba, repousa no interior de uma concha no fundo do mar, flutua impulsionada por uma bola de chiclete e descobre que o impossível pode ser apenas outra forma de olhar o mundo; cada pintura sugere o início de uma narrativa.

Evandro Dotto fala a abertura musical do mês

UFMS: EVANDRO DOTTO

A apresentação do projeto “Música Erudita e suas Fronteiras” – realizado em parceria pela ASL e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul dentro do projeto “Movimento Concerto” – será com Evandro Dotto, violonista, professor, produtor e pesquisador, com bacharelado em violão pelo Conservatório Brasileiro de Música – RJ – 2012, licenciado em música pelo Instituto Claretiano – 2022, pós-graduado em Educação Musical pela UNIS- MG – 2014 e mestre em Música pela UFMG – 2021. Participou de diversos festivais nacionais e internacionais, com destaque para II Festival Internacional de Guitarra “Maria Luísa Anido” em Morón Argentina em 2018, o qual foi violonista convidado. Desde 2013 participa do grupo Camerata Madeiras Dedilhadas da UFMS, sob regência do professor Dr. Marcelo Fernandes. Entre seus principais projetos destacam-se “Panorama Violonístico – 2018” com concertos na capital e no interior. Em 2020 produziu e executou o projeto – “Aprendendo a Ouvir Música” disponível em seu canal do Youtube e em 2023 executou o projeto “Música Erudita nas Escolas e Universidades” financiando pelo fundo de investimento cultura do Estado/MS. Em 2013 ganhou primeiro lugar no Concurso Prêmio Campo Grande Música de Concerto, em 2016 foi finalista no concurso do III Festival Internacional de violão de Campo Grande.

SERVIÇO

Chá Acadêmico
ABL na ASL, Palestras Imortais
Paulo Henriques Britto

“A análise formal de um poema”

Dia 30 de julho de 2026, às 19h30min
(Com os projetos “Música Erudita e suas Fronteiras”, com a
UFMS; e “Arte da Academia”, com a Confraria SociArtista)

Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada franca | Evento presencial | Traje esporte

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) realiza, na próxima quinta-feira, 16 de julho, a cerimônia de premiação do Concurso de Contos “Ulysses Serra”, iniciativa criada para incentivar a produção literária em Mato Grosso do Sul. A programação reunirá autores, acadêmicos e leitores em uma noite dedicada à literatura, com entrega de premiações, certificados e leitura pública das obras vencedoras.

Nesta edição, o primeiro lugar ficou com Joana Rezadeira, de Eva Vilma Souza Barbosa, de Campo Grande. O segundo lugar foi conquistado por O Roubo, de Daniel Demetrio da Silva Bento, também de Campo Grande, enquanto Dona Bela, de João Francisco Santos da Silva, igualmente da Capital, obteve a terceira colocação.

Promovido com apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), por intermédio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), o concurso foi lançado pela ASL em maio e recebeu inscrições gratuitas de escritores residentes em diversas regiões do Estado. Além dos prêmios em dinheiro — R$ 3 mil para o primeiro colocado, R$ 2 mil para o segundo e R$ 1 mil para o terceiro — a Academia entregará certificados aos dez autores mais bem classificados.

A solenidade também permitirá ao público conhecer parte das narrativas selecionadas. Os três contos premiados serão apresentados em leitura feita por integrantes da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, revelando estilos, atmosferas e universos distintos construídos pelos autores.

Trechos dos textos já revelam as leituras que serão realizadas:

Aproveitei o momento de tanta filha para pouco olho de mãe no escuro da noite e corri até a beira do rio. Ouvi o canto de Joana, dessa vez mais baixo, chegando gostoso para mim. Ousei o proibido, me joguei ao abraço das águas amigas, dessa vez, não para ficar e brincar. Atravessei, nadando como pude, e pisei a outra margem, o canto me chamando, quase que num sussurro agora.

(trecho de um dos contos classificados – que serão revelados na Noite -)

Os trabalhos foram avaliados por uma comissão formada por escritores integrantes da ASL, que analisaram critérios como originalidade, qualidade narrativa, domínio da linguagem e construção literária. Para o presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, Henrique de Medeiros, o concurso reforça o papel da instituição como incentivadora da criação literária no Estado. “Queremos ampliar o acesso à literatura e dar visibilidade aos talentos locais. É uma forma de fortalecer autores experientes e revelar novas vozes.”

Nasci numa comunidade de pescadores. Meus pais viviam dos peixes pescados e da agricultura familiar. As casas ficavam próximas ao mar e as roças nas encostas dos morros. Lembro-me que perto de casa havia uma comunidade quilombola, o Sítio dos Pretos. Ela situava-se na descida do morro, bem no meio do caminho entre a chapada e a praia.

(trecho de um dos contos classificados – que serão revelados na Noite -)

Também receberão certificados de classificação os autores:

4º lugar — Sobre o que hoje eu vejo pela janela, de Flávio Amorim da Rocha (Campo Grande);

5º lugar — Eu, de Leonardo Silva Muglia (Dourados);

6º lugar — Elipse, de Andressa Maria de Oliveira Queiroz (Dourados);

7º lugar — A Fronteira, de Vinícius Lins de Souza Arruda (Nova Alvorada do Sul);

8º lugar — Atrasado, de Hiago José Martines da Silva (Aquidauana);

9º lugar — Estevão já não sabia mais do que gostava, de Vítor Quadros Altomare Sanches (Campo Grande);

10º lugar — Vespas, de Sandro Wagny Souza Santos (Dourados).

A água faz um barulho bom, né? Quando eu era criança eu ficava deitado do lado desses córgo, ouvindo. Fazendo nada, só ouvindo. Fechava o olho e ficava, escutando, respirando. Até dormia. Seu pai às vezes vinha comigo. Esse córgo era maior, bem cheião, foi secando. Era água, hein guri. Água, água, água.

(trecho de um dos contos classificados – que serão revelados na Noite -)

O concurso homenageia o Ulysses Serra, corumbaense fundador da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, cuja trajetória permanece como uma das referências da instituição na promoção das letras sul-mato-grossenses. Ao reconhecer autores já consolidados e abrir espaço para novos escritores, a iniciativa reafirma o compromisso da ASL com o fortalecimento da literatura produzida em Mato Grosso do Sul.

SERVIÇO

Concurso de Contos “Ulysses Serra”
Noite de Premiação e Leitura

Dia 16 de julho de 2026, às 19h30min
Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada gratuita | Evento presencial | Traje esporte

A poesia produzida em Mato Grosso do Sul volta a ganhar espaço e incentivo com a abertura das inscrições para a edição 2026 do Concurso de Poesias “Oliva Enciso”, promovido pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL). Consolidada como uma das principais iniciativas de estímulo à criação literária no Estado, a premiação busca revelar novos talentos, valorizar escritores sul-mato-grossenses e fortalecer a produção poética regional, reafirmando o compromisso da Academia com a promoção da literatura e da língua portuguesa.

Estão abertas, entre os dias 6 e 17 de julho, as inscrições para a nova edição do Concurso ‒ que são gratuitas e deverão ser realizadas exclusivamente pelo endereço eletrônico acletrasms.org.br/asl-poesias26. Promovido pela ASL com apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Desporto e Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), o concurso distribuirá R$ 6 mil em prêmios, sendo R$ 3 mil para o primeiro colocado, R$ 2 mil para o segundo e R$ 1 mil para o terceiro.

O presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, escritor e publicitário Henrique Alberto de Medeiros, destaca que o concurso integra as ações permanentes da instituição voltadas ao fortalecimento da literatura produzida em Mato Grosso do Sul. “A realização do Concurso de Poesias ‘Oliva Enciso’ reafirma uma das principais missões da Academia: fomentar a produção literária, incentivar novos escritores e contribuir para a valorização da língua portuguesa e da criação artística em nosso Estado”, afirma.

Cada participante poderá inscrever uma única poesia, de tema livre, obrigatoriamente original e inédita, com até 30 versos, apresentados em uma única lauda. Os espaços entre estrofes não serão contabilizados como linhas. O concurso é destinado exclusivamente a autores residentes em Mato Grosso do Sul, com 18 anos de idade ou mais. Para assegurar a imparcialidade da Comissão Julgadora, todos os trabalhos deverão ser inscritos sob pseudônimo, conforme estabelece o regulamento.

O edital completo, o regulamento e o formulário de inscrição estão disponíveis no site oficial da Academia, onde os candidatos encontram todas as orientações para participação.

RESULTADO E PREMIAÇÃO

O resultado será divulgado no dia 7 de agosto. A cerimônia de premiação acontecerá em 20 de agosto, às 19h30, no auditório da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, em evento aberto ao público. Na ocasião, serão anunciados e homenageados os dez primeiros colocados, com leitura pública dos poemas classificados e entrega dos prêmios aos três vencedores. O concurso homenageia a escritora Oliva Enciso, que ocupou a Cadeira nº 22 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e deixou importante legado para a literatura sul-mato-grossense.

SERVIÇO

Concurso de Poesias “Oliva Enciso” – Edição 2026

• Inscrições: de 6 a 17 de julho de 2026 (gratuitas)
• Resultado: 7 de agosto de 2026
• Premiação: 20 de agosto de 2026, às 19h30, na ASL
• Regulamento e inscrições: acletrasms.org.br/asl-poesias26
• 1º lugar: R$ 3.000,00
• 2º lugar: R$ 2.000,00
• 3º lugar: R$ 1.000,00

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) vem anunciar, em seu portal oficial, os vencedores da edição 2026 do Concurso de Contos “Ulysses Serra”. Voltada ao incentivo da produção literária em Mato Grosso do Sul, a iniciativa recebeu inscrições gratuitas e contou com o apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Criado em homenagem ao escritor corumbaense Ulysses Serra, fundador da ASL, o concurso premiará os três primeiros colocados com valores entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. Em evento gratuito e aberto à participação do público, a cerimônia de entrega dos prêmios está marcada para o dia 16 de julho, às 19h30, no auditório da Academia,

Contos premiados:

1º lugar: Joana Rezadeira, de Eva Vilma Souza Barbosa (Campo Grande)

2º lugar: O Roubo, de Daniel Demetrio da Silva Bento (Campo Grande)

3º lugar: Dona Bela, de João Francisco Santos da Silva (Campo Grande)

Todos os autores dos três primeiros colocados são de Campo Grande. Durante o evento, os três primeiros classificados terão seus contos apresentados e interpretados por Acadêmicos da ASL.

Avaliação e destaque

Outros sete contos, além dos três premiados, foram reconhecidos pela sua qualidade literária e receberão diploma de classificação com menções honrosas. O julgamento dos contos foi realizado por duas bancas compostas por membros da Academia. Henrique de Medeiros, presidente da ASL, enfatizou que a premiação reafirma o compromisso da instituição com a descoberta e o reconhecimento de autores que contribuem para o desenvolvimento da literatura no Estado, cumprindo seu papel para a a divulgação de novos autores e o incentivo à produção cultural sul-mato-grossense.

4º lugar: Sobre o que hoje eu vejo pela janela, de Flávio Amorim da Rocha (Campo Grande)

5º lugar: Eu, de Leonardo Silva Muglia (Dourados)

6º lugar: Elipse, de Andressa Maria de Oliveira Queiroz (Dourados)

7º lugar: A Fronteira, de Vinícius Lins de Souza Arruda (Nova Alvorada do Sul)

8º lugar: Atrasado, de Hiago José Martines da Silva (Aquidauana)

9º lugar: Estevão já não sabia mais do que gostava, de Vítor Quadros Altomare Sanches (Campo Grande)

10º lugar: Vespas, de Sandro Wagny Souza Santos (Dourados)

A ASL convida a comunidade literária e o público em geral para prestigiar a premiação da escrita e da cultura regional no dia 16 de julho, na sede da ASL.