Nesta quinta-feira, 20, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras realiza a cerimônia de premiação do Concurso de Poesias “Oliva Enciso”, iniciativa lançada em julho para incentivar a produção literária em Mato Grosso do Sul. Aberto gratuitamente ao público, o evento reunirá os autores classificados para a entrega de certificações e dos prêmios em dinheiro destinados aos três primeiros colocados: R$ 3.000 para o primeiro lugar, R$ 2.000 para o segundo e R$ 1.000 para o terceiro.

O primeiro lugar foi conquistado por Marlene Ferraz dos Santos, de Campo Grande, com o poema “Roseiras desabrocham no inverno”. Soraia Aparecida Roques Pereira, também da Capital, ficou em segundo lugar com “Sensibilidade”, enquanto Diana Pilatti Onofre, igualmente campo-grandense, conquistou a terceira colocação com “Azul-violáceo”. Os autores classificados até a décima posição receberão certificação.

Durante a cerimônia, os dez poemas classificados serão interpretados por Acadêmicos da ASL, em uma apresentação que integra a programação da premiação e da entrega dos certificados. O concurso contou com o apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Desporto e Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Entre os textos selecionados, estão poemas que serão conhecidos integralmente pelo público durante a noite de premiação. Um dos trechos que integram a seleção é:

“Esse corpo nunca pertenceu como às roseiras.
Pertence também ao olhar que acredita nas estações.
Meu broto desconhece o calendário.
Ele mede o tempo pela sede.
Toda flor é uma forma de desmentir o relógio.
Toda espera amadurece na escuridão.”

A avaliação dos trabalhos ficou a cargo de uma Comissão formada por membros da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, escritores que ocupam cadeiras da instituição. “Em meio aos poemas enviados de vários muncípios sul-mato-grossenses, critérios como originalidade e domínio da linguagem foram considerados para a premiação”, comentou o presidente da ASL, Henrique de Medeiros. Segundo ele, o concurso contribui tanto para o reconhecimento de autores com trajetória na literatura quanto para a descoberta de novas vozes e o estímulo permanente à leitura e à escrita.

Outro trecho de um dos poemas classificados é:

“hoje o corpo já não testemunha
assina o próprio nome no silêncio
e a linguagem aprende enfim
o feminino não é destino
é verbo”

Com inscrições estaduais e gratuitas, o certame teve ampla divulgação e adotou o uso de pseudônimos como forma de preservar a imparcialidade na avaliação dos textos. Cada participante pôde inscrever um único poema, de tema livre, desde que tivesse 18 anos ou mais e residisse em Mato Grosso do Sul.

A seleção reúne, ainda, o seguinte trecho de um dos poemas classificados:

“As patas-de-vaca já estão floridas.
Ao longo da calçada, no velho centro da cidade,
elas resistem, brancas, lilases, róseas.
Pequenos paradoxos perfumados e silenciosos.”

Completam a relação dos dez classificados: em 4º lugar, Júlia Maria Martins, de Cassilândia, com “Amarras”; em 5º, Reginaldo Costa de Albuquerque, de Campo Grande, com “Altar de metal e asas”; em 6º, Dafne de Oliveira Guenka Ramos, de Campo Grande, com “Portal“; em 7º, João da Silva Junior, de Campo Grande, com “Da Janela do vagão”; em 8º, Angelica Cardoso Rodrigues, de Jardim, com “Tocar não basta”; em 9º, Daniel Abrão, de Campo Grande, com “Ensaios sobre a invenção da origem”; e, em 10º, Julio Cezar Oliveira Costa, também da Capital, com “Viveu até não conseguir mais”.

O Concurso de Poesias “Oliva Enciso” presta homenagem à saudosa acadêmica da ASL, corumbaense e pioneira da participação feminina na educação, na cultura e na política de Mato Grosso do Sul. Ao recuperar seu nome e sua trajetória, a iniciativa reafirma o propósito de reconhecer a produção literária sul-mato-grossense, valorizar autores que já contribuem para as Letras do Estado e abrir espaço para novas vozes da poesia.

SERVIÇO

Concurso de Poesias “Oliva Enciso”
Noite de Premiação e Leitura

Dia 20 de agosto de 2026, às 19h30min

Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada gratuita | Evento presencial | Traje esporte

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) realiza, em agosto, mais uma edição do projeto Leituras & Conversas, desta vez dedicada à obra de Machado de Assis. O encontro acontece na quinta-feira, dia 13, às 19h30, no auditório da instituição, com entrada franca. Desenvolvido mensalmente, de março a novembro, o projeto adota o formato de clube de leitura, incentivando o diálogo e a troca de interpretações entre os participantes. A coordenação desta edição é das acadêmicas Lenilde Ramos, Maria Adélia Menegazzo e Sylvia Cesco.

Como convidada especial, a escritora Jucelia Souza da Silva conduzirá a apresentação sobre Machado de Assis. Natural de Campo Grande-MS, professora no Curso de Educação do Campo na UFMS, graduada em Letras, mestra em Estudos de Linguagens e doutora em Letras – Estudos Literários, Jucelia é também escritora, tendo participação em diversas coletâneas de contos de ordem coletiva, autora de Heitor, páginas de ti (ANE -MS, 2001), Contis da Gaveta: meta ficção e cotidiano (Life, 2020) e seu recente romance Antes de Nós (Oito e Meio / Flyve, 2025), o qual apresenta no Dedo de Prosa da edição 2026 da FLIB. 

Para o presidente da ASL, Henrique de Medeiros, o Leituras & Conversas consolida-se como um dos projetos de maior aproximação entre a Academia e a comunidade, reunindo um público crescente a cada encontro. Após a edição dedicada a Machado de Assis, a programação de 2026 prosseguirá nos próximos meses com edições sobre Elias Borges, João Cabral de Melo Neto e Aglay Trindade, ampliando o diálogo entre autores da literatura regional, brasileira e universal.

MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis (1839–1908) é amplamente reconhecido como o maior nome da literatura brasileira e um dos mais importantes escritores da língua portuguesa. Nascido no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira açoriana, teve origem humilde e formação essencialmente autodidata. Superando limitações sociais, econômicas e de saúde, tornou-se referência permanente da cultura nacional. Sua produção literária abrange romances, contos, crônicas, poesias, peças teatrais e crítica, marcada pela refinada elaboração da linguagem, ironia, análise psicológica e profunda investigação da natureza humana.

Machado de Assis renovou a literatura ao romper convenções narrativas, dialogar diretamente com o leitor e explorar temas universais como memória, ambição, ciúme, poder, hipocrisia e fragilidade moral. Seus contos figuram entre os mais importantes da literatura ocidental, reunindo precisão estilística e extraordinária capacidade de observação do comportamento humano. Além da obra literária, exerceu relevante atuação no serviço público e no jornalismo.

Em 1897, foi o principal idealizador e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, instituição que dirigiu até sua morte e que permanece como uma das principais referências culturais do país. Traduzido para dezenas de idiomas e continuamente estudado em universidades de todo o mundo, Machado de Assis permanece como autor indispensável para a compreensão da literatura e da sociedade brasileiras. Sua obra, ao mesmo tempo profundamente nacional e universal, dialoga com sucessivas gerações de leitores, reafirmando sua posição entre os grandes clássicos da literatura mundial.

SERVIÇO

Leituras & Conversas na ASL
“Sobre Machado de Assis”

Dia 13 de agosto de 2026, às 19h30min
Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada franca | evento presencial | traje esporte

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) recebeu, na noite de sábado (08), seu mais novo integrante; em cerimônia realizada na sede da instituição, o cronista e romancista André Alvez tomou posse da Cadeira nº 28 da ASL, anteriormente ocupada pelo escritor Augusto César Proença, falecido em 2023. Olho ao lado e vejo nomes que para mim são referência, muitos dos quais tenho o prazer da convivência e posso, para meu orgulho, chamar de amigos. Vejo-os como patrimônios de nossa cultura, gente séria, que de fato trabalha e zela pela preservação de nossa literatura”, afirmou em seu discurso o novo acadêmico.

André Alvez fez a leitura do termo de juramento

Alvez também dedicou a posse ao universo literário que construiu ao longo de sua trajetória, lembrando personagens que marcaram sua obra e reafirmando sua ligação com Campo Grande. “Entram comigo nesta Casa os meus personagens, Vladimir de La Mancha, São Damião, Calixto Azoague, Edward, Natanael, Sofia, a Bruxa da Sapolândia e muitos mais. E, por fim, a minha cidade, a terra do chão vermelho, poeira e barro que estão para sempre colados nos meus pés, por inteira, nas asas das borboletas e assoprada pelo vento, a minha Campo Grande.” Ao concluir, resumiu o significado daquele momento: “a honra abraça a emoção e sinto-me tomado pelo orgulho de à partir desse momento, pertencer à ASL”.

A saudação em nome da Academia foi conduzida pela escritora, ensaísta, pesquisadora e professora universitária Lucilene Machado, ocupante da Cadeira nº 36. Em seu discurso, ela destacou a relevância da trajetória do novo confrade e sua contribuição para a literatura produzida em Mato Grosso do Sul. Para Lucilene, André Alvez é “um guardião das palavras; sua trajetória revela um escritor atento às múltiplas formas de narrar o Mato Grosso do Sul e, sobretudo, a cidade de Campo Grande. Em sua obra, o cotidiano transforma-se em matéria literária, a memória ganha permanência e aquilo que poderia parecer banal torna-se digno de ser contado e preservado”.

A acadêmica Lucilene Machado fez o discurso de recepção pela ASL

Ao abordar a formação e a produção do escritor, ressaltou que “como um grande leitor, construiu uma sólida formação intelectual que se reflete tanto em suas produções literárias quanto em seus trabalhos audiovisuais. Sua escrita revela o encontro entre técnica, sensibilidade e profundo compromisso com a cultura regional”. Lucilene afirmou que “a verdadeira posse não acontece quando um escritor ocupa uma cadeira; acontece quando sua imaginação passa a habitar a instituição”.

Durante a solenidade, o presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, o escritor e publicitário Henrique Alberto de Medeiros Filho, destacou que a eleição e a posse de André Alvez representam o reconhecimento de uma trajetória construída por meio da literatura e da participação constante na vida cultural sul-mato-grossense. Ressaltou sua atuação como cronista, contista e articulista, sempre presente em diferentes espaços de divulgação e valorização da produção literária do Estado.

O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, destacou o reconhecimento da trajetória de André Alvez

A solenidade de posse — extremamente prestigiada — foi conduzida pelo secretário-geral da ASL, Rubenio Marcelo, que destacou o significado da chegada de André Alvez para a Academia, ressaltando a continuidade do compromisso da instituição com a valorização da literatura, da cultura e dos escritores sul-mato-grossenses.

O novo imortal André Alvez

O novo imortal

André Luiz Alvez é escritor, roteirista, pós-graduado em Literatura Brasileira pela UCDB e publicitário formado pela UNISA-SP. Nasceu e cresceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com forte ligação ao antigo bairro Amambaí; com uma sólida trajetória no cenário cultural de Mato Grosso do Sul, consolidou-se como um dos nomes mais ativos de sua geração, atuando como romancista, cronista, contista e palestrante. Presidiu a União Brasileira de Escritores de MS (UBE-MS) entre 2017 e 2018.

Como cronista urbano, registrou o cotidiano sul-mato-grossense no jornal Correio do Estado (Caderno B) de 2008 a 2019. Atualmente, assina a coluna semanal “Beba das crônicas” no portal Campo Grande News. Paralelamente à literatura, André possui forte inserção no audiovisual, tendo se especializado em roteiro e direção cinematográfica através de oficinas com grandes nomes do cinema nacional, como Anna Muylaert e José Eduardo Belmonte.

Já ministrou palestras na ASL como convidado, abordando escritores como Hemingway e García Márquez. Sua infância e o imaginário transmitido por sua mãe a respeito das lendas urbanas de Campo Grande serviram para sua transição das crônicas do cotidiano para os romances de ficção e mistério. É autor de sete livros entre romance, contos e crônicas, com obras premiadas e mesmo publicadas internacionalmente, destacando-se entre eles A Bruxa da Sapolândia, e O Santo de Cicatriz e Todo bicho alado sente medo do vento; recentemente, lançou Flores azuis não vão para o céu.

Os acadêmicos da ASL em foto oficial após a posse (com a presença da secretária-adjunta da Setesc, Giovana Correa)

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

Com 40 cadeiras vitalícias, nos moldes da Academia Brasileira de Letras (ABL), a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras foi fundada em 30 de outubro de 1971 pelos escritores Ulisses Serra, Germano de Souza e José Couto Vieira Pontes. Criada inicialmente como Academia de Letras e História de Campo Grande, adotou sua denominação atual no fim de 1978, às vésperas da instalação do Estado de Mato Grosso do Sul. Reconhecida como uma das principais referências culturais sul-mato-grossenses, a ASL reúne escritores eleitos segundo rigorosos critérios de habilitação e escolha de novos membros. A instituição dedica-se à valorização da língua portuguesa, ao incentivo à criação literária e à preservação e difusão do patrimônio cultural e das manifestações literárias de Mato Grosso do Sul e do Brasil. Mais informações sobre a Academia e seus integrantes estão disponíveis em seu site: acletrasms.org.br .

Os atuais membros da ASL são: Abrão Razuk; Altevir Soares de Alencar; Américo Calheiros; Ana Maria Bernardelli; André Alvez; Elizabeth Fonseca; Emmanuel Marinho; Enilda Mougenot; Fabio do Vale; Geraldo Ramon; Henrique Alberto de Medeiros; Humberto Espíndola; Ileides Muller; José Couto Vieira Pontes; José Pedro Frazão; Lenilde Ramos; Lucilene Machado; Marcos Estevão; Maria Adélia Menegazzo; Marisa Serrano; Orlando Antunes Batista; Oswaldo Almeida; Padre Afonso de Castro; Paulo Correa de Oliveira; Paulo Nolasco dos Santos; Paulo Tadeu Haedchen; Pedro Chaves; Raquel Naveira; Reginaldo Araújo; Renato Toniasso; Rubenio Marcelo; Samuel Medeiros; Sergio Fernandes Martins; Sergio Cruz; Sylvia Cesco; Theresa Hilcar e Valmir Batista Corrêa. Brígido Ibanhes foi eleito e aguarda solenidade de posse.

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) vem anunciar, em seu portal oficial, os vencedores da edição 2026 do Concurso de Poesias “Oliva Enciso”. Voltada ao incentivo da produção literária em Mato Grosso do Sul, a iniciativa recebeu inscrições gratuitas e contou com o apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Na edição 2026, as poesias premiadas e classificadas em primeiro, segundo e terceiro lugar foram: 1º lugar, poema “Roseiras desabrocham no inverno”, de Marlene Ferraz dos Santos (Campo Grande); 2º lugar, poema “Sensibilidade”, de Soraia Aparecida Roques Pereira (Campo Grande); e 3º lugar, “Azul-violáceo”, de Diana Pilatti Onofre (Campo Grande).

O Concurso ofereceu prêmios de R$1.000,00 a R$3.000,00, aberto aos escritores sul-mato-grossenses com inscrições gratuitas. O Concurso da Academia teve apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Desporto e Cultura, pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS, e presta homenagem à saudosa corumbaense que ocupou a cadeira 22 da ASL. Os poemas serão divulgados e declamados no dia 20 de agosto, em evento para entrega dos prêmios no auditório da ASL, às 19h30min.

O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, destacou que “a Academia entende que incentivar a poesia é investir na permanência da literatura como espaço de criação, reflexão e diálogo entre diferentes gerações de escritores.” Para Henrique, “a cada edição, o Concurso reforça o compromisso com a produção literária e com a descoberta de novos talentos da poesia sul-mato-grossense.”

O julgamento foi efetuado por duas bancas compostas por Acadêmicos da ASL. Na premiação no dia 20 de agosto, aberta gratuitamente ao público, as obras dos 10 primeiros colocados serão apresentadas e interpretadas por Acadêmicos e premiados os três primeiros ─ receberão os respectivos prêmios em dinheiro: R$ 3.000 (1º lugar); R$ 2.000 (2º lugar) e R$ 1.000 (3º lugar).

Em reconhecimento à sua qualidade literária (receberão diploma de classificação), as Comissões Organizadora e Julgadora decidiram completar a ordem de classificação não premiável financeiramente a mais estes sete poemas:

4º lugar, poema “Amarras”, de Júlia Maria Martins (Cassilândia)

5º lugar, poema “Altar de metal e asas”, de Reginaldo Costa de Albuquerque (Campo Grande)

6º lugar, poema “Portal“, de Dafne de Oliveira Guenka Ramos (Campo Grande)

7º lugar, poema “Da Janela do vagão”, de João da Silva Junior (Campo Grande)

8º lugar, poema “Tocar não basta”, de Angelica Cardoso Rodrigues (Jardim)

9º lugar, poema “Ensaios sobre a invenção da origem”, de Daniel Abrão (Campo Grande)

10º lugar, poema “Viveu até não conseguir mais”, de Júlio Cezar Oliveira Costa (Campo Grande)