A obra da escritora Clarice Lispector será o foco do projeto Leituras & Conversas, promovido pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, que será apresentado excepcionalmente nesta quinta-feira, dia 9, dentro da programação da Bienal Pantanal, no Auditório Pedro de Medeiros, às 17h30, com a participação das acadêmicas Maria Adélia Menegazzo, Lenilde Ramos, Lucilene Machado e Sylvia Cesco.

As acadêmicas Lucilene Machado, Maria Adélia Menegazzo, Sylvia Cesco e Lenilde Ramos

Clarice Lispector — uma das vozes mais singulares e revolucionárias da literatura brasileira do século XX — desenvolveu uma escrita marcada pela introspecção e pela busca da essência do ser. Desafiou convenções narrativas e criou uma linguagem própria, poética e filosófica, influenciando gerações de escritores e pensadores.

O projeto Leituras & Conversas é uma iniciativa essencial para o fortalecimento da cultura literária no estado, ao criar um espaço mensal democrático e afetivo de escuta, reflexão e diálogo entre leitores e obras. Funcionando como um verdadeiro clube de leitura, o projeto valoriza tanto os autores regionais quanto nomes nacionais e internacionais, promovendo encontros que ampliam o repertório dos participantes e estimulam o pensamento crítico.

CLARICE LISPECTOR

A escritora Clarice Lispector

Clarice Lispector nasceu na Ucrânia e chegou ao Brasil ainda bebê, fugindo com sua família da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa. Naturalizada brasileira, viveu em Maceió, Recife e Rio de Janeiro. Desde jovem, demonstrou uma sensibilidade incomum e uma escrita introspectiva, marcada por uma busca constante pelo sentido da existência.

Seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem (1943), revolucionou a literatura brasileira ao romper com a narrativa tradicional e explorar o fluxo de consciência, sendo premiado com o Prêmio Graça Aranha. Clarice integrou a terceira fase do Modernismo (Geração de 45), mas sua escrita transcende escolas literárias, sendo considerada única e profundamente filosófica.

Ao longo da vida, publicou romances, contos, crônicas e literatura infantil. Obras como A Paixão Segundo G.H., Laços de Família, Água Viva e A Hora da Estrela revelam personagens em estados de epifania, angústia e autodescoberta. Sua linguagem é poética, fragmentada e subjetiva, com forte presença de metáforas e introspecção.

Sua obra é marcada pela ação interior, pela revelação do extraordinário no cotidiano e pela busca do “instante já” — uma tentativa de capturar a essência fugidia da vida. Clarice Lispector permanece como uma das vozes mais originais e profundas da literatura brasileira e mundial.

SERVIÇO

Leituras & Conversas na ASL
Tema: Clarice Lispector
Data: 9 de outubro de 2025, às 17h30
Local: Bienal Pantanal, Auditório Pedro de Medeiros
Entrada gratuita | Evento presencial | Traje esporte

ASL terá Leituras & Conversas e imortais em diversas atividades na 1ª Bienal do Livro de MS

Realização especial do Leituras & Conversas, presença de acadêmicos na interação com o público e em várias programações: estas são algumas das atividades que a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras estará promovendo durante a 1ª Bienal do Livro de Mato Grosso do Sul – Bienal Pantanal, com mais de uma dezena de imortais envolvidos com as atividades. A ASL estará com um estande tendo a presença de acadêmicos e seus livros para interação com o público leitor.

Para o presidente da ASL, Henrique de Medeiros, a realização da 1ª Bienal do Livro em Mato Grosso do Sul demonstra a importância da Literatura no Estado. Segundo ele, “os temas a serem abordados em seminários, oficinas e palestras com autores consagrados nacional e regionalmente trazem para a educação e a cultura a importância da discussão do pensamento como forma de desenvolvimento social”.

O projeto da ASL Leituras & Conversas a ser apresentado excepcionalmente na quinta-feira, dia 09, será no auditório Pedro de Medeiros, às 17h30, com a participação das acadêmicas Maria Adélia Menegazzo, Lenilde Ramos, Lucilene Machado e Sylvia Cesco, e a edição abordará a escritora Clarice Lispector ─ uma das vozes mais singulares e revolucionárias da literatura brasileira do século XX. Desenvolveu uma escrita marcada pela introspecção e pela busca da essência do ser. Ela desafiou convenções narrativas e criou uma linguagem própria, poética e filosófica, influenciando gerações de escritores e pensadores.

Livros como “Nadas em busca dos tudos”,  “Um Palmo e Meio de Proseio”, “Senhorinha Barbosa”, “Poemas em Tempo de Sol”, “Catador de invisível”, “História sem Nome – Lembranças de uma menina quase gêmea” estarão com a presença de seus autores no estande da ASL, ao receber escritores como Elizabeth Fonseca, Henrique de Medeiros, Ileides Müller, Lenilde Ramos, Marcos Estevão, Samuel Medeiros e Theresa Hilcar. Estarão participando de outras atividades também Ana Maria Bernardelli e Emmanuel Marinho.

Nesta quinta-feira, 25 de setembro, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras recebe o poeta, letrista, dramaturgo e tradutor Geraldo Eduardo Carneiro, membro da Academia Brasileira de Letras, para uma noite de reflexão e literatura no tradicional Chá Acadêmico. A palestra, intitulada “Uma vida entre as palavras”, propõe um mergulho na trajetória multifacetada do autor, cuja escrita transita entre o erudito e o coloquial, o clássico e o contemporâneo — sempre permeada por poesia, ironia e beleza.

O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, ressalta a importância da presença de Carneiro em Mato Grosso do Sul: “Ele não traz apenas sua obra, mas fortalece os laços entre a produção literária nacional e a cultura regional, criando pontes entre gerações, estilos e territórios.” Para Henrique, a participação de imortais da ABL em eventos da ASL representa um gesto simbólico de reconhecimento ao vigor intelectual do Estado, “inspirando escritores locais, valorizando a educação e estimulando o diálogo literário”.

O evento é gratuito, com traje esporte, e acontece às 19h30 no auditório da ASL, localizado na Rua 14 de Julho, 4653, em Campo Grande. A iniciativa integra o projeto “ABL na ASL: Palestras Imortais”, realizado em parceria com a Setesc – Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS. Além da palestra, o Chá Acadêmico de setembro contará com ações conjuntas com a UFMS (com Marcelo Fernandes e Kemer de Almeida) e a Confraria Sociartista (com Rebekah Vieira e Sônia Corrêa), promovendo expressões artísticas visuais e musicais. A noite será encerrada com uma apresentação musical no foyer da ASL, durante a confraternização entre o público e os imortais presentes.

GERALDO EDUARDO CARNEIRO

Geraldo Eduardo Ribeiro Carneiro, ocupante da cadeira 24 da Academia Brasileira de Letras, foi desde cedo imerso em um ambiente artístico e intelectual, convivendo com figuras como Paulo Mendes Campos, Jacob do Bandolim e Tom Jobim. Essa atmosfera cultural moldou sua sensibilidade e o impulsionou a seguir uma carreira multifacetada nas artes. Estudou Letras na PUC-Rio e integrou a chamada “poesia marginal”, publicando seu primeiro livro em 1974, ao lado de nomes como Cacaso e Francisco Alvim. Como poeta, Carneiro construiu uma obra lírica e sofisticada, marcada por referências filosóficas, humor e musicalidade.

Entre seus livros mais conhecidos estão Verão Vagabundo (1980), Piquenique em Xanadu (1988), Folias Metafísicas (1995), Por Mares Nunca Dantes (2000) e Poesia Reunida (2010). Sua escrita transita entre o erudito e o coloquial, e frequentemente dialoga com outras linguagens artísticas, como o teatro e a música. Em 2016, lançou Subúrbios da Galáxia, uma antologia que celebra quatro décadas de produção literária.

Na música, Geraldo Carneiro é um letrista de destaque, tendo colaborado com nomes como Egberto Gismonti, Astor Piazzolla, Francis Hime e Martinho da Vila, entre muitos outros. Sua parceria com Gismonti rendeu clássicos como Água e Vinho e Bodas de Prata. Como dramaturgo e roteirista, Carneiro também deixou sua marca. Estreou no teatro com Lola Moreno (1979) e escreveu peças como Folias do Coração e Apenas Bons Amigos, em parceria com Miguel Falabella. Na televisão, colaborou em minisséries e adaptações literárias e, ao coescrever a releitura da novela O Astro, recebeu o Prêmio Emmy Internacional.

Outro aspecto de sua carreira é a atuação como tradutor, especialmente de Shakespeare. Traduziu peças como A Tempestade e Como Gostais, além de sonetos.

REBEKAH VIEIRA E SÔNIA CORRÊA

Dois integrantes da Confraria Sociartista estarão criando ao vivo seus trabalhos artísticos em artes visuais durante o mês de maio: Rebekah Vieira e Sônia Corrêa.

Desde criança, Rebekah Vieira demonstrou interesse por desenho e pintura, participando de exposições em feiras de arte em Brasília/DF, sua cidade natal. Radicou-se em Campo Grande em 2019, quando conheceu o artista Antônio Lima e realizou um curso de pintura a óleo. Atualmente, desenvolve seu próprio trabalho artístico com pinceladas que conferem espontaneidade às obras, inspirando-se na natureza e em cenas do cotidiano.

Sônia Corrêa é especialista em artes plásticas pela Universidade de Mogi das Cruzes – SP. Iniciou sua carreira como pintora, sempre abordando temáticas que retratam a força da natureza pantaneira e do ser humano, especialmente a figura feminina. Hoje, trabalha com esculturas em ossos bovinos e também com cerâmica — técnica que expressa seu interesse pelas formas humanas de maneira lúdica.

MARCELO FERNANDES E KEMER DE ALMEIDA

A apresentação do projeto “Música Erudita e suas Fronteiras” — realizado em parceria entre a ASL e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, dentro do “Movimento Concerto” — contará, neste mês, com a participação do organizador do projeto pela UFMS junto à ASL: o professor doutor Marcelo Fernandes, que se apresentará em duo com o flautista Kemer de Almeida.

Marcelo Fernandes é doutor em Artes pela Universidade de São Paulo, pró-reitor da UFMS e compositor do hino da instituição. Teve como mestres os violonistas Edelton Gloeden e Abel Carlevaro — com quem se aperfeiçoou durante três anos no Uruguai. Em seu doutorado, abordou o modernismo nas obras para violão de Camargo Guarnieri, sendo responsável pela estreia da integral dessa obra na Europa. Como solista, venceu cinco concursos de interpretação instrumental, com destaque para o Concurso Internacional Violão Intercâmbio e para o Prêmio Nascente Abril Cultural-USP. Realizou concertos em teatros, conservatórios, universidades e festivais no Brasil, França, Espanha, Suíça, Alemanha, Bélgica, Itália, Paraguai, Colômbia, Bolívia e Estados Unidos — com destaque para o projeto Sonora Brasil – SESC, no qual empreendeu uma turnê de 86 recitais de violão em 20 estados brasileiros.

Kemer de Almeida é graduado em Música pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Flautista e educador musical, consolidou-se como músico concertista desde os 12 anos, tocando em fanfarras e desfiles cívicos de Campo Grande e de outras cidades do estado. Participou de grupos musicais como bandas marciais e fanfarras, da Banda Sinfônica da UFMS e, atualmente, além de integrar o grupo Camerata Madeiras Dedilhadas, é professor da rede municipal de ensino de Campo Grande/MS. Promove o ensino da arte musical nas diversas comunidades escolares, contribuindo para a disseminação da música no âmbito educacional.

PIANO E VIOLONCELO COM MARIA RITA E MARCELO GERÔNIMO

No foyer, após a palestra, haverá confraternização do público com os Acadêmicos. Durante esse momento, apresentar-se-ão em duo os músicos regionais Maria Rita Oliveira e Marcelo Gerônimo, em uma performance de piano e violoncelo. Marcelo Gerônimo é violoncelista com atuação marcante em Mato Grosso do Sul. Chefe do naipe de violoncelos da Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande desde 2007, também lidera a Orquestra de Violoncelos da cidade — projeto que vem ampliando o acesso ao instrumento e revelando novos talentos. Maria Rita Oliveira é pianista com presença ativa na cena musical. Atua na Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande, colaborando em repertórios variados — do erudito ao popular — e participando de projetos que integram música e outras linguagens artísticas.

SERVIÇO

Chá Acadêmico
ABL na ASL, Palestras Imortais

Geraldo Eduardo Carneiro
“Uma vida entre as palavras”

Dia 25 de setembro de 2025, às 19h30min
(Com os projetos “Música Erudita e suas Fronteiras”, com a
UFMS; e “Arte da Academia”, com a Confraria Sociartista)

Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada franca, evento presencial, traje esporte

ASL na FLIB aborda Biografias e Mulheres Escritoras de MS

Temas como “Escrever biografias” e “Mulheres – escritoras de MS” serão abordados nos dias 19 e 20 de setembro pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) em sua participação na 9ª edição da FLIB – Feira Literária de Bonito, realizada entre os dias 17 e 21 de setembro, na Praça da Liberdade, em Bonito. Com atividades concentradas no Pavilhão das Letras, a presença da ASL reforça o compromisso da instituição com a valorização da literatura, da educação e da cultura regional.

As imortais Lenilde Ramos, Lucilene Machado e Maria Adélia Menegazzo, juntamente com o imortal Henrique Alberto de Medeiros Filho – presidente da ASL – representarão a instituição na FLIB, que este ano celebra o tema “Literatura: a autoria, a arte e a vida”. A feira é um dos mais importantes eventos literários do estado, reunindo escritores, leitores, educadores e artistas em um ambiente de troca, inspiração e formação. A participação da ASL, com seus acadêmicos e acadêmicas, reafirma sua missão de fomentar o pensamento crítico, preservar a memória literária sul-mato-grossense e incentivar novas gerações de autores.

A programação da ASL na FLIB inclui, no dia 19 (sexta-feira), às 18h, a atividade “Conversa com a ASL – Escrever Biografias”, com a participação de Lenilde Ramos e Henrique de Medeiros, sob mediação de Maria Adélia Menegazzo. O encontro abordará os desafios e encantos da escrita biográfica, gênero que exige sensibilidade, rigor e compromisso com a verdade e a memória.

No dia 20 (sábado), às 15h, será realizado o “Dedo de Prosa – Mulheres: escritoras de MS”, com a participação de Lucilene Machado. O bate-papo destacará a produção literária feminina no estado, suas vozes, narrativas e contribuições para a cultura sul-mato-grossense.

Ao integrar a programação da feira, a ASL contribui para ampliar o alcance da produção literária sul-mato-grossense e fortalecer os laços entre escritores e comunidade. Segundo o presidente Henrique de Medeiros, “a presença da ASL na FLIB é sempre um momento de troca de conhecimento literário e reafirma o papel da literatura como ferramenta de transformação, educação e construção de cidadania”.

Poeta Dora Ribeiro é tema de Leituras & Conversas na ASL

A obra da poeta sul-mato-grossense Dora Ribeiro será o foco das Leituras & Conversas promovidas pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, na próxima quinta-feira, 11 de setembro, com entrada gratuita no auditório da instituição, às 19h30min. As acadêmicas Maria Adélia Menegazzo e Sylvia Cesco estarão coordenando e apresentando essa edição do “clube de leitura” que a ASL oferece ao público.

O projeto Leituras & Conversas é uma iniciativa essencial para o fortalecimento da cultura literária no estado, ao criar um espaço mensal democrático e afetivo de escuta, reflexão e diálogo entre leitores e obras. Funcionando como um verdadeiro clube de leitura, o projeto valoriza tanto os autores regionais quanto nomes nacionais e internacionais, promovendo encontros que ampliam o repertório dos participantes e estimulam o pensamento crítico.

DORA RIBEIRO

Dora Ribeiro tem sua obra marcada por uma linguagem que desafia os limites da expressão lírica e se inscreve como resistência à espetacularização da literatura.

Dora estreou em 1984 com Ladrilho de palavras, em coautoria com sua mãe, Lélia Rita Figueiredo Ribeiro, também escritora, pesquisadora e saudosa acadêmica da ASL. Entre seus livros publicados, Começar e o fim (Fundação Catarinense de Cultura, 1990) foi vencedor do Concurso Nacional de Poesia Luís Delfino, em 1988. Entre outros, publicou também Bicho do mato, Taquara rachada, O poeta não existe e A teoria do jardim.

Após viver décadas no exterior, atualmente vive em São Paulo mantendo-se reclusa e dedicada à escrita.

A escrita de Dora Ribeiro é marcada por minimalismo verbal: versos curtos, elípticos, que sugerem mais do que dizem; a natureza como metáfora: o cerrado, o Pantanal, a taquara, o bicho do mato — tudo é símbolo de resistência e identidade; silêncio como potência: o não dito, o intervalo, o vazio são elementos estruturantes de sua poética; e a desconstrução do sujeito lírico: como em O poeta não existe, Dora questiona a própria noção de autoria e presença. A crítica literária reconhece seu livro A teoria do jardim uma das mais ousadas investidas da poesia brasileira recente na direção de uma estética do despojamento.

SERVIÇO

Leituras & Conversas na ASL

Tema:

Dora Ribeiro
(Poeta Regional)

11 de setembro de 2025, às 19h30min
Auditório da ASL – Rua 14 de Julho, nº 4653 (Altos do São Francisco)

Entrada gratuita | Evento presencial | Traje esporte

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) lançou oficialmente a edição 2025 do Concurso de Contos “Ulysses Serra”, voltado exclusivamente a autores residentes em Mato Grosso do Sul. Com o objetivo de incentivar a produção literária regional, a iniciativa oferece prêmios em dinheiro que variam de R$ 1.000 a R$ 3.000. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 16 de setembro de 2025, por meio do link no site acletrasms.org.br/asl-contos. O concurso conta com o apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Desporto e Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Cada participante poderá inscrever um conto inédito e original, com tema livre, respeitando o limite de até três páginas. O texto deve ser enviado em formato Word, com margens padrão, fonte Times New Roman, corpo 12 e espaçamento simples. O presidente da ASL, escritor e publicitário Henrique Alberto de Medeiros, destacou que o concurso reafirma o compromisso da entidade com o estímulo a novos talentos e o fortalecimento da literatura produzida no Estado. Medeiros reforçou que apenas autores domiciliados em Mato Grosso do Sul poderão participar da seleção.

A realização do concurso está alinhada às diretrizes da ASL, que tem como missão a valorização da língua portuguesa e o incentivo às atividades literárias. Para concorrer, é necessário ter idade mínima de 18 anos e residir no Estado. O regulamento completo e o link para inscrição estão disponíveis no site oficial da Academia. A utilização de pseudônimo é obrigatória, como forma de assegurar a imparcialidade da Comissão Julgadora durante a análise dos textos.

Divulgação dos resultados e cerimônia de premiação

O resultado será anunciado no dia 10 de outubro. A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 23 de outubro, às 19h30, no auditório da ASL, em evento aberto ao público. Na ocasião, serão lidos os contos dos três primeiros colocados e entregues os prêmios em dinheiro: R$ 3.000 para o primeiro lugar, R$ 2.000 para o segundo e R$ 1.000 para o terceiro. O Concurso de Contos “Ulysses Serra” homenageia o escritor corumbaense que foi um dos fundadores da Academia.

Serviço

Concurso de Contos “Ulysses Serra” – Edição 2025
Inscrições: até 16/09 (gratuitas)

Resultado: 10/10
Premiação: 23/10, às 19h30, no auditório da ASL
Regulamento e inscrições: acletrasms.org.br/asl-contos

Premiação:
* 1º lugar – R$ 3.000 (três mil reais)
* 2º lugar – R$ 2.000 (dois mil reais)
* 3º lugar – R$ 1.000 (hum mil reais)

Abílio de Barros, cujo trabalho literário é considerado essencial para a preservação da memória histórica e cultural pantaneira, é o acadêmico saudoso que será homenageado na Roda Acadêmica deste mês da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras nesta quinta-feira, dia 28, às 19h30min, em atividade presencial no auditório da sede da instituição, na avenida 14 de julho, 4653, nos Altos do São Francisco – com entrada gratuita. O projeto é uma parceria da ASL com apoio da Setesc – Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura – pela Fundação de Cultura de MS – FCMS.

Abílio de Barros é o saudoso acadêmico que será tema da Roda do mês da ASL
Os acadêmicos Américo Calheiros, Marisa Serrano e Raquel Naveira

Escritor, advogado, filósofo e pecuarista, Abílio deixou um legado de sensibilidade e compromisso com a cultura regional. Sua obra é marcada por crônicas, memórias e reflexões sobre o Pantanal e a vida interiorana, com estilo direto, observador e profundamente humano. Ocupou a cadeira 32 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. A Roda Acadêmica sobre o escritor terá apresentação dos acadêmicos Américo Calheiros, Marisa Serrano e Raquel Naveira.

ADELAIDE BARBOSA MARTINS E ANA OITICICA

Essa quinta-feira marca também a participação da Confraria Sociartista nas atividades mensais da ASL, com o projeto “Arte na Academia”, com artes visuais ao vivo que irá abordar a produção de duas integrantes, as artistas Adelaide Barbosa Martins e Ana Oiticica.

Pela Confraria SociArtista estarão se apresentando Ana Oiticica e Adelaide Barbosa Martins

Adelaide Barbosa Martins é pintora e ceramista, com suas raízes nas tradicionais famílias sul-mato-grossenses Baís e Barbosa Martins, tendo sido desde criança – movida por grande senso criativo – levada a gostar de arte, participando de teatro e apresentando música, violão e voz nos circos de Campo Grande. Aos 20 anos passou a fazer teatro, no O Tablado. Também teve programas musicais na Rádio Educativa. Desde os 20 anos expõe suas obras em Campo Grande, com exposições no Brasil e no exterior e é uma das fundadoras da Confraria Sociartista.

Ana Oiticica é professora aposentada e artista com uma trajetória multifacetada, destacando-se nas linguagens da pintura em tecido, estamparia em tecido e na criação de bonecos, entre outras expressões artísticas. Participou de diversas exposições individuais e coletivas. Esse contexto evidencia como Ana Oiticica transita entre diferentes suportes e técnicas, imprimindo caráter, expressão e variedade nos seus objetos artísticos. A pintura em tecido e a estamparia dão base visual e sensorial à criação, enquanto os bonecos trazem dimensão, volume e um potencial narrativo/performático.

UFMS: RAFAEL SALGADO

O músico Rafael Salgado, que se apresentará pela UFMS no “Música Erudita e suas Fronteiras”

O reconhecido projeto Movimento Concerto, da UFMS, com sua vertente “Música Erudita e suas Fronteiras” – realizado em parceria pelas ASL e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – terá neste mês apresentação com a participação será de Rafael Salgado, Doutor em música pela UDESC e Mestre em música pela UNESP. Atualmente é Técnico-Músico da UFMS atuando com projetos de extensão ligados ao ensino e produção artístico-musical. Realiza pesquisa com ênfase nos processos de preparação em música de câmara. Desde 2010 integra o quarteto de violões Toccata, que em 2018 laçou álbum com obras inéditas de compositores brasileiros para a formação. É integrante do duo Entrecordes junto ao cellista William Teixeira desde 2021, em que além do repertório tradicional para a formação, explora novas composições de compositores contemporâneos.

A RODA

No foyer, haverá música instrumental com Alvani Calheiros

Participantes desta Roda, os imortais Américo Calheiros, Marisa Serrano e Raquel Naveira analisaram e estudaram a vida e obra de Abílio de Barros para apresentação de sua trajetória de vida e sua importância na ASL. Realizados no auditório da ASL, na rua 14 de julho, 4653, os Chás Acadêmicos e as Rodas Acadêmicas de 2025 têm suas apresentações de março a novembro, sempre nas últimas quintas-feiras de cada mês. Após a palestra, haverá apresentação no foyer do músico Alvani Calheiros, que já participou em diversos grupos, shows e gravações de DVD de compositores locais, bem como fundou o grupo de estudos da música instrumental chamado JazzLab, em Campo Grande.  A Academia Sul-mato-grossense de Letras – a mais alta e representativa entidade literária estadual –, no próximo mês de outubro, comemorará 54 anos de fundação.

SERVIÇO

Roda Acadêmica da ASL “Abílio de Barros”
(pelos acadêmicos Américo Calheiros, Marisa Serrano e Raquel Naveira)

Dia 28 de agosto de 2025, às 19h30min
(Com os projetos “Música Erudita e suas Fronteiras”, com a
UFMS; e “Arte da Academia”, com a Confraria Sociartista)

Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada gratuita, evento presencial

O contista Dalton Trevisan, “O Vampiro de Curitiba”, é o escritor que será homenageado em Leituras & Conversas pela ASL neste mês de agosto, nesta quinta-feira, dia 14. A entrada é gratuita, em atividade presencial no auditório da instituição, às 19h30min. As acadêmicas Lenilde Ramos, Maria Adélia Menegazzo e Sylvia Cesco estarão presentes coordenando o evento; o convidado do mês – que fará a palestra sobre Trevisan – será o presidente da Academia: escritor, publicitário e jornalista Henrique de Medeiros.

Acadêmicos Maria Adélia Menegazzo, Henrique de Medeiros, Sylvia Cesco e Lenilde Ramos

Dalton Jérson Trevisan, nascido em Curitiba em 1925 e falecido em 2024, é considerado um dos maiores contistas da literatura brasileira. Formado em Direito, abandonou a advocacia para se dedicar à escrita, revelando desde cedo uma linguagem concisa e intensa. Recebeu prêmios Jabuti, da Academia Brasileira de Letras – ABL e o prêmio Camões, entre inúmeros outros. Trevisan ficou conhecido como o “Vampiro de Curitiba”, apelido que reflete seu estilo sombrio e sua personalidade reclusa. Seus contos abordam temas como solidão, violência e loucura, sempre com personagens comuns e ambientações urbanas.

Escritor Dalton Trevisan

“A moça de vestido branco, sentada no banco da praça, lê um livro. Ele se aproxima devagar, como quem não quer nada. Quando ela levanta os olhos, já é tarde.”

Dalton Trevisan, “O Vampiro de Curitiba” (Prêmio Jabuti, 1965)

SERVIÇO

Leituras e Conversas na ASL
“contista Dalton Trevisan”

Dia 14 de agosto de 2025, às 19h30min

Auditório da ASL, Rua 14 de Julho, nº 4653
(Altos do São Francisco)

Entrada gratuita, evento presencial, traje esporte

O imortal Jorge Caldeira, ocupante da cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras, estará palestrando neste mês de julho, na quinta-feira, dia 31, em evento do projeto “ABL na ASL: Palestras Imortais”, realizado pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras em parceria com a Setesc – Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura, por meio da Fundação de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul.

Sob o título “As perspectivas do Brasil no Mercado de Carbono Neutro”, a palestra será baseada na obra Brasil, Paraíso Restaurável, lançada por Caldeira em 2020, em parceria com Júlia Marisa Sekula e Luana Schabib (nascida em Campo Grande e que deverá estar presente no evento). A proposta é discutir o papel do Brasil na economia de carbono neutro.

Imortal da ABL, Jorge Caldeira

Segundo Jorge Caldeira, “será dada especial atenção à velocidade que a mudança na direção do carbono neutro está adquirindo no Brasil. Basta ver o caso de Mato Grosso do Sul, onde, a partir de 2022, a gestão Eduardo Riedel transformou um Plano de Carbono Neutro em peça central do planejamento do estado”.

O evento será presencial, com entrada franca e traje esporte, no auditório da ASL, localizado na Rua 14 de Julho, nº 4653, em Campo Grande, às 19h30. As atividades contam com parcerias da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), por meio do projeto “Música Erudita e suas Fronteiras”, inserido no “Movimento Concerto”; e da Confraria Sociartista, através do projeto “Arte na Academia”.

A palestra também abordará as oportunidades de negócios que surgem com a consolidação do cálculo do balanço de carbono como fator para decisões de investimento. Segundo a consultoria McKinsey, o potencial de investimentos de curto prazo pode chegar a US$ 40 bilhões. Será apresentado, na medida do possível, o cenário mundial de investimentos baseados em carbono neutro — atualmente o mais abrangente do planeta.

Finalizando a noite, haverá confraternização no foyer da ASL, com apresentação instrumental com o músico, produtor e diretor musical Otávio Neto.

JORGE CALDEIRA

Historiador e escritor, Jorge Caldeira é imortal da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 16. É uma figura central na renovação da literatura histórica brasileira. Doutor em Ciência Política e graduado em Ciências Sociais pela USP, construiu uma trajetória marcada pelo rigor acadêmico e pela ousadia narrativa.

Autor de obras que revisitam criticamente a formação econômica e social do país, como História da Riqueza no Brasil (2017), destacou-se também por Mauá, Empresário do Império (1995), referência nos estudos sobre empreendedorismo no Brasil Imperial, e A Nação Mercantilista (1999), que trata das raízes estruturais da economia brasileira.

Organizador da coleção Formadores do Brasil, publicou volumes sobre José Bonifácio e Diogo Antônio Feijó.

Teve também ampla atuação editorial — como publisher da revista Bravo! e editor em veículos como Exame, IstoÉ, Revista da Folha e Ilustrada da Folha de S.Paulo, além de consultor da TV Globo no projeto Brasil 500 Anos. Recebeu a Ordem do Mérito Cultural (2018) e é também membro da Academia Paulista de Letras. Segundo Celso Lafer, é um autor que “traz uma nova visão sobre o Brasil, com múltiplos olhares e profundidade analítica”.

SÔNIA POSSI E ANDRÉA LUZ

A pintura ao vivo de julho pela Confraria Sociartista terá duas técnicas diferentes, com os trabalhos visuais de Andréa Luz e Sônia Possi.

Pela Confraria SociArtista, Andréa Luz

Andréa Luz é artista visual e arquiteta, com diversas exposições individuais e coletivas em Mato Grosso do Sul e no Brasil. Integra a Confraria Sociartista e, desde o início da carreira, retrata a vida indígena, a flora e a fauna do Pantanal, utilizando técnica mista de pastel seco, tinta acrílica e carvão.

Pela Confraria SociArtista, Sônia Possi

Sônia Maria de Medeiros Possi desenha mandalas intuitivas e, a partir dessas criações, começou a estudar e praticar outras técnicas como desenho com grafite, lápis de cor e tinta a óleo sobre papel. Atualmente dedica-se aos retratos, criando rostos de pessoas e motivos sacros.

GABRIEL DOS SANTOS E PEDRO IRINEU

Realizado mensalmente pela ASL em parceria com a UFMS, o projeto Movimento Concerto, dentro da vertente “Música Erudita e suas Fronteiras”, traz em julho os músicos Gabriel dos Santos e Pedro Irineu. No repertório solo: Turégano, de Federico Moreno Torroba – Gabriel dos Santos. La Catedral (3º movimento), de Augustin Barrios – Pedro Irineu. No repertório em duo: Opus 34 nº 02, de Ferdinando Carulli – Gabriel e Pedro.

Pela UFMS, a presença do violonista Gabriel dos Santos

Gabriel dos Santos é violonista e educador musical, com formação técnica pelo Conservatório Musical de Campo Grande e graduação em Música pela UFMS (em conclusão). Participou da Camerata Madeiras Dedilhadas, do Festival Mais Cultura UFMS e foi finalista do XV Concurso de Violão da FITO. Sua atuação se destaca pelo compromisso com a valorização da música como instrumento de expressão e inclusão.

Pela UFMS, a presença do violonista Gabriel dos Santos

Também pela UFMS, o violonista Pedro Irineu

Pedro Irineu é graduando em Licenciatura em Música pela UFMS, estudou com o professor Pieter Rahmeier e participou de apresentações locais e concursos como o XI Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter (RJ). Participou de masterclasses com músicos renomados como Everton Gloeden, Gilson Antunes e Daniel Morgade. Atualmente integra a Camerata de Madeiras Dedilhadas.

INSTRUMENTAL COM OTÁVIO NETO

Músico Otávio Neto se apresentará no foyer

Após a palestra, na confraternização, haverá apresentação instrumental de Otávio Neto. Cantor, músico, produtor e diretor musical, é natural de Campo Grande (MS) e filho de um índio terena com uma mineira. Iniciou sua trajetória na música ainda na infância. Na adolescência, mudou-se para Curitiba, residindo na casa do maestro Misael Passos e de seu filho Misa Jr., quando teve os primeiros contatos com produção musical e arranjos. Ao retornar para Campo Grande, aprofundou-se na Soul Music e passou a atuar como arranjador e assistente técnico em estúdios. Fundou o projeto Aldeia Black e assinou arranjos para diversos artistas. Otávio Neto soma quase 70 CDs produzidos, abrangendo diferentes estilos musicais, além de DVDs e participações em shows realizados em várias regiões do país.

SERVIÇO

Chá Acadêmico

“ABL na ASL: Palestras Imortais”

Palestrante: Jorge Caldeira
Tema: “As perspectivas do Brasil no Mercado de Carbono Neutro”

Dia: 31 de julho de 2025
Horário: 19h30
Local: Auditório da ASL – Rua 14 de Julho, nº 4653 (Altos do São Francisco), Campo Grande – MS

Parcerias

UFMS – projeto Música Erudita e suas Fronteiras
Confraria Sociartista – projeto Arte na Academia

Entrada franca | Evento presencial | Traje esporte

Textos que saíram de cabeças, idades e realidades sociais diferentes, porém criativos e singulares, únicos para cada inspiração. A educadora, o artista, o ativista, a operária – enfim, uma composição plural de gêneros e de ocupações adornou na noite de quinta-feira, 24, na premiação aos 10 primeiros colocados no Concurso de Poesias “Oliva Enciso”. Promovido pela ASL (Academia Sul-Mato-Grossense de Letras), com a parceria da Setesc – Secretaria de Estado de Turismo, Desporto e Cultura (através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS), o concurso foi instituído em 2012 para ampliar os canais de fortalecimento cultural, com incentivo à produção autoral.

Os autores e autoras receberam certificados de participação. Os três primeiros classificados ganharam também prêmios em dinheiro nos valores de R$ 3.000,00, R$ 2.000,00 e R$ 1.000,00. A poesia vencedora, “Padilhas e Mulambos”, é de Rayanne Jarcem de Oliveira. Em 2º lugar ficou “Aguada”, de Márcia Regina Scherer; e em 3º, “A Parte que Falta”, de Ibelize Santos.

Acadêmicos e Premiados do Concurso “Oliva Enciso”

Completam a relação dos 10 vencedores – 4º lugar: Júlio Oliveira Costa, de Campo Grande (“Bixa-Terra”); 5º: Renata Boeira, de Dourados (“Hoje Escrevi Uma Matéria”); 6º: Angélica Cardoso Rodrigues, de Jardim (“Esperança”); 7º: Tácito Lourenço Batista, de Dourados (“Alvorada no Pantanal das Palavras”; 8º: Jurema Cristaldo, de Campo Grande (“Entre Dois Mundos”); 9º: Keyla Coelho, de Bandeirantes (“O Amor Respira por Aparelhos”); e 10º: Fabiano Baumgardt, de Campo Grande (“Nas Vielas do Presente”). À exceção de |Renata Boeira e Tácito Batista, todos se fizeram presentes.

As poesias e os prêmios foram declamados e entregues pelos imortais da ASL Henrique Medeiros, Fábio do Vale, Sylvia Cesco, Sérgio Cruz, Rubenio Marcelo e Elizabeth Fonseca. Os elogios à qualidade das poesias  foram unânimes. Para os acadêmicos Marisa Serrano – que conduziu a apresentação – e Rubenio Marcelo, mais uma vez o concurso demonstrou sua importância no fomento, na resistência e na produção literária em Mato Grosso do Sul .

Acadêmicos, familiares e amigos dos participantes animaram a noite de premiações na sede da Academia. O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, definiu o concurso como “um chamado aos talentos de todas as épocas, sobretudo para quem não teve sua obra contemplada com a justa visibilidade e quem, por timidez ou outro tipo de relutância, demora a colocar para fora sua capacidade de criação”.

O presidente da ASL, Henrique de Medeiros, e o secretário-geral, Rubenio Marcelo, premiam Rayanne Jarcem

Padilhas e Mulambos
Rayanne Jarcem de Oliveira

Você achou que a carne negra era mais barata.
Ouviu na boca do açougue que devia levar, mas desconsiderou que era dura de engolir.
Começou a me fazer na panela errada, sem cuidado, sem dengo.
Nem lembrou que carne de África se faz com ervas e oração,
se faz com sal fino, com licença ancestral.
Ficou ensebando com coisas erradas, usou desamor, pitada de cinismo,
e o pacto de me fazer morrer.
Me pegou de qualquer jeito, não pensou em prato especial, cozinhou em banho maria.
Mas não contava que minhas Marias eram outras.
Eram Padilhas e Mulambos, era a família que reza meia noite na encruza
enquanto sai para trabalhar.
Maria que bota lingerie chique, batom vermelho e bate no peito da negritude que lateja.
Aqui ninguém nos mata de novo.
Mesmo que tenha quebrado meus ossos com saliva quente,
mesmo que separasse cada estilhaço para não mais juntar.
Esqueceram de te falar.
Carne preta se junta no faro.
Nossos ancestrais deixaram mapas em padês, tranças e sambas.
Veja bem. Juntei meus ossinhos na força das marés.
África me fez reexistir e nunca mais parar de dançar.
Hoje, quando escutar o ranger dos dentes por aí é o meu fantasma.
Minha carne preta é pó da noite.
Ela treme e se esparrama por todo lugar.

Henrique de Medeiros e Rubenio Marcelo premiam Marcia Scherer

Aguada
Marcia Regina Scherer

Houve um tempo em que as águas chegavam
Como num turbilhão de pensamentos
Inundavam
Mentes férteis, ora ocas, ora secas
Vertiam reflexões. Gotejavam

Nesse tempo água era que nem vida
Tinha gosto e cheiro d’alma
Transparente
Como brisa mansa
Gingando a rede com calma

Há de haver o tempo em que as águas voltarão
Caudalosas de riso frouxo
Arrastando morte e secura
Levando canoas para o longe
Afogando mágoas de quem se cura

Nesse tempo, eu rio
Caudalosamente
Em direção ao mar

Rubenio Marcelo e Raquel Naveira premiam Ibelize Santos

A parte que falta
Ibelize Santos

Surgiu de um sonho
Nasceu de um plano
Cresceu num redomo

Fez parte em nós
Encheu nossos anos
Teceu nossos nós

Faltou devagar
No meio da dor
Testada na sorte
Deixou-se vagar

Em tanto existir
Tornou-se banal
Morreu nos assuntos
Virou trivial

Largada num fundo
Talvez virou sobra
Juntada a outras tantas
Deixadas pra fora

Mas toda essa falta
Um dia deságua
Na face que escorre
A dor que se narra

Acadêmica Elizabeth Fonseca premia Julio Cezar Oliveira Costa

Bixa-terra
Julio Cezar Oliveira Costa

Sou raiz que teima em brotar na beira da cerca,
fruto que não coube no curral da norma.
Entre Pantanal e poste, danço com as mariposas
no cio da noite sem perdão.

Meu corpo é território em disputa,
que muito cedo fincou bandeira.
Não sou invasão. Sou retomada.
Minha pele guarda o barro dos que vieram antes.

Aqui, onde o cerrado arde devagar,
sou canto torto de passarinho sem gaiola.
Chamam de pecado o que é só flor em outra estação.
Não sou lenda urbana… Sou memória viva!

Nasci entre o sussurro das onças
e o grito calado dos guarani-kaiowá.
Sou bixa no sul do centro do mundo,
só isso já é revolução.

Os bois olham torto, o padre me nega,
mas minha reza é de tambor,
minha missa é no brejo,
meu evangelho é o beijo que dei escondido.

Sou o que não se ensina nos livros da escola,
mas se aprende quando o mato fala.
Se me apagarem daqui,
vou virar estrela, daquelas que orientam caminho.

Sou sul, mas nunca silêncio.
Sou brilho, mas também cicatriz.
E se me perguntarem de onde venho,
aponto o coração e digo: daqui.

Hoje escrevi uma matéria
Renata Aparecida Boeira de Oliveira Costa

Hoje escrevi uma matéria sobre um poeta que faleceu faz tempo.
Ele está na minha tatuagem, nos bilhetes de amor,
em buquês de rosas, nas leituras dos solitários,
na pupila dos amantes que gozam juntos nas madrugadas.
No bater de portas dos casais que se despedem do afeto.
No sorriso das crianças e nas notícias que se esqueceram de ser boas.
Nas ruas, nos bares, nos copos dos pessimistas da vida.
Nos hospitais, nas delegacias e nos funerais que acontecem ao meio-dia.
Em ônibus, aviões, bicicletas, nos pés no chão.
Nos telefonemas de saudade, nas mensagens que morrem no orgulho.
Nas distâncias assinadas em contrato, na vontade guardada.
Na descrença total da felicidade ou na fé violenta pela vida — no amor.
Esse poeta me sussurra que continua vivo. E eu acredito.
Porque, em alguns momentos, eu posso abraçá-lo.

Acadêmica Elizabeth Fonseca premia Angélica Cardoso

Esperança
Angélica Cardoso Rodrigues

Ainda que o amargor do café lembre
o gosto cru dos dias sem cor, ainda
que o belo canto dos pássaros
se dissolva no lamento abafado do mundo,
ainda que o vapor das máquinas
se confunda com as densas nuvens,
ainda que as noites tempestuosas
não tragam apenas a chuva,
teus olhos de menina,
indomáveis como o primeiro desejo que não se diz,
me retêm na quina entre o ontem,
o agora e o incerto amanhã.
As linhas que se espalham como ramas no rosto,
tatuagens invisíveis do tempo invencível,
são trilhas de um mapa que só o viver decifra.
E mesmo quando eu despenque
num abismo voraz e silencioso,
como um castelo de cartas
derrubado pelo sopro impiedoso
de uma criança inquieta,
tu ainda me restas —
chama escandalosa que insiste
em pulsar em meu peito.
E por te ser,
me incendeio.

Alvorada no Pantanal das Palavras
Tácito Loureiro da Silva Lourenço Baptista

Amanhece nas entranhas do barro úmido,
onde sílabas brotam como rebentos.
O tuiuiú de metáforas rasga o céu anil,
e o voo esculpe versos no ar denso.
O Paraguai, rio-caderno ancestral,
carrega folhas de histórias submersas —
cada onda, um verso sem adeus,
cada remanso, um ponto de reflexão.

O vento vira páginas do capim dourado,
libélulas grifam os hífens do tempo.
No lodo da memória, o passado acende:
peixe-espelho que na corrente se esvai.
Aqui, o poeta tece a trama do verbo,
arreando rimas soltas na vasta planície.
Sob os cascos do tempo, o silêncio fala:
raízes que bordam a língua da terra.

O sol, cururueiro de ouro incandescente,
pousa na copa vazia do cambará.
O gado das horas pasta a luz do verde-cálice,
rumina sonhos em tons de anil profundo.
O rio que transborda o leito estreito
é o mesmo que corre nas veias da escrita —
cantando a saga dos que dormem em versos,
sonhos que a terra guarda nas raízes.

Como o trovador das águas esquecidas,
minha voz busca o eco dos primeiros nomes:
palavras que o vento não apagou,
mas guardou nos sulcos do horizonte.
E à noite, quando o brejo entoa cânticos de vida,
e as raízes ascendem ao céu em espiral de essência,
o poema nasce: semente alada
que planta futuros no solo do agora.

Acadêmico Sergio Cruz premia Jurema Cristaldo

Entre Dois Mundos
Jurema Cabral Cristaldo

Nasci da mistura de tempos antigos,
do encontro forçado de histórias partidas,
trazendo na pele a dúvida eterna:
quem sou eu, se sou metade de tudo
e inteiro de nada?

Muito branca para ser preta,
muito preta para ser branca,
flutuando entre olhares que me julgam,
entre vozes que me nomeiam sem permissão.
“Morena jambo”, “cor de suja”,
tantos nomes, e nenhum que me caiba.

Na escola, no bairro, na vida,
não bastava existir, era preciso escolher.
Mas como se escolhe uma cor,
quando a pele muda com a luz?

Sou mais clara no inverno,
mais escura no verão,
o bastante para nunca ser suficiente.
Elogios que ferem:
“Cabelo bom, mas nem tanto”,
“Traços finos, que sorte”.

Meu reflexo é uma interrogação,
minha cor, uma incógnita.
Sou preta quando convém,
branca quando interessa,
mas nunca o bastante para ser qualquer uma.

Sou mistura que resiste,
sou a história em tom mestiço,
a dúvida que insiste em existir.

Acadêmico Fábio do Vale premia Keyla Alves Coelho

O Amor Respira por Aparelhos
Keyla Alves Coelho

Há um soro invisível pingando no peito da gente,
remédios coloridos tentando curar o que é ausência.
As crianças trocam o chão de terra pela tela azul,
e esquecem como é sujar os joelhos de esperança.

Os olhos não se encontram, só deslizam…
dedos nervosos em telas frias, em conversas vazias.
Religiões de curtidas, orações por emojis,
e a fé… a fé, coitada, internada em estado terminal.

Lá fora, as sirenes tocam — não de ambulâncias,
mas de guerras travadas com palavras cortantes.
Aqui dentro, nas salas de estar, batalhas silenciosas:
casamentos esvaziados, filhos órfãos de pais vivos.

Cada notificação é um tiro de ansiedade,
e o café da manhã virou comprimido com água.
Nos noticiários, bombas; nos lares, silêncios.
O mundo inteiro respira, mas com ajuda de máquinas.

E o amor? Ah, o amor…
entubado, cercado de alertas vermelhos,
mantido vivo por um fio de memória,
esperando que alguém, um dia,
desligue o wi-fi…
se reconecte com a própria humanidade,
e descubra, enfim,
que o único recomeço possível
ainda pulsa…
ainda luta…
ainda resiste,
mesmo que respirando por aparelhos.

Acadêmico Fábio do Vale premia Fabiano Baumgardt

10º

Nas vielas do presente
Fabiano Rocha Baumgardt

Nas vielas do presente, onde as sombras altivas.
Se erguem, e a luz se esconde, pouco viva.
Um povo vagueia, perdido em revoltas internas,
Emaranhados em problemas e tramas tão ternas.

Caminham para um destino em nevoeiro envolto,
Na era da incerteza, onde o medo tem seu voto.
Erguem-se das cinzas do desespero, como as que padecem,
Buscando respostas em sonhos e anseios que se mexem.

Dos dias de desespero profundo, à falta de amor,
Da justiça cambaleante à moral sem fulgor.
Marcham, os heróis do presente, em estradas tortuosas,
Enfrentando desafios com bravura corajosa.

Das torres altas de marfim onde a ganância se revela,
Aos sombrios becos onde a miséria se acotovela,
Lutam e perseveram, em meio ao caos que os cerca,
Onde a esperança vacila, mas ainda se arqueja.

Nos anais da história, a narrativa se repete,
Injustiças e vidas entrelaçadas, história que se compete.
Em batalhas invisíveis, e em conquista sem som,
A humanidade prossegue, em sua jornada em tom.

A vice-presidente da ASL, acadêmica Marisa Serrano, conduziu a solenidade.
Fábio do Vale, Sylvia Cesco, Rubenio Marcelo, Henrique de Medeiros, Raquel Naveira, Elizabeth Fonseca
e Sergio Cruz foram os acadêmicos que formaram a mesa oficial da cerimônia de premiação.